
Ávlia, Espanha, 25 jul 2026 (Lusa) – Os incêndios nas regiões espanholas de Madrid, Ávila e Toledo continuam por controlar após um “dia que não foi positivo” devido a condições meteorológicas adversas que se esperam porém melhores para domingo, disseram hoje as autoridades.
“Não foi um dia positivo”, disse o ministro da Administração Interna de Espanha, Fernando Grande-Marlaska, em declarações aos jornalistas no posto de comando de combate a incêndios de Navaluenga, Ávila, às 22:00 locais (21:00 em Lisboa).
O ministro disse que o dia teve “condições meteorológicas absolutamente difíceis” que impediram o controlo dos fogos ou uma evolução mais positiva da situação, mas deixou uma “mensagem de confiança” e sublinhou que as previsões do tempo são melhores para domingo e que estão mobilizados “todos os meios” para fazer frente às chamas, assim como para retirar populações de casa com segurança.
Esta noite “não vai ser simples” e espera-se um “trabalho complexo” no terreno, afirmou Grande-Marlaska.
“Mas quero transmitir confiança à sociedade e aos afetados”, acrescentou, insistindo em que “todos os meios” estão mobilizados.
O ministro agradeceu a todas as regiões autónomas que enviaram meios para esta zona do país, assim como aos parceiros europeus que disponibilizaram aviões de combate aos fogos através do mecanismo comunitário de proteção civil, e a Portugal, que mobilizou uma força especial com 128 operacionais que está já no terreno.
Também o chefe da Unidade Militar de Emergências (UME), Francisco Javier Marcos Izquierdo, que está a coordenar o combate a estes fogos, disse querer deixar “uma mensagem de tranquilidade”.
“Os incêndios não estão controlados, mas a situação geral está”, disse por duas vezes Francisco Javier Marcos Izquierdo, que falava ao lado do ministro.
O chefe da UME destacou que as evacuações e confinamentos de localidades estão a fazer-se “com muita antecipação e ordem” e que há boa coordenação das equipas no terreno que combatem as chamas.
Francisco Javier Marcos Izquierdo disse ainda que, apesar da evolução desfavorável dos fogos em algumas frentes, foi também possível conter durante o dia o avanço das chamas em vários pontos ou evitar a junção total dos incêndios de Ávila e Madrid.
“Pensamos que detivemos o avanço das chamas no interior desses incêndios assim como o flanco este, que poderia rolar rumo a Madrid. O perímetro está definido, mas não está consolidado”, afirmou.
Os fogos na região de Madrid, Ávila e Toledo já levaram a retirar de casa ou a confinar mais de 88.000 pessoas desde quinta-feira, segundo os dados mais recentes das autoridades.
Nestes incêndios de Madrid, Ávila e Toledo não há até agora registo de vítimas mortais, mas em Espanha morreu hoje um homem noutro fogo perto de Valência, no leste do país.
Por outro lado, 27 estradas permaneciam com cortes hoje ao início da noite em Espanha por causa dos fogos florestais, a maioria na província de Ávila e de Madrid.
O Governo espanhol alargou hoje à província de Toledo o estado de emergência nacional por causa dos incêndios que está em vigor desde quinta-feira à noite em Madrid e Ávila.
Tratam-se de territórios vizinhos, mas situados em três regiões autónomas diferentes (Castela La Mancha, Madrid e Castela e Leão) e com a declaração de emergência, a coordenação do combate aos incêndios fica sob a tutela do Estado central e é comum para os incêndios nestas províncias.
Segundo o Ministério da Administração Interna, que anunciou num comunicado a decisão de alargar o estado de emergência a Toledo, é a forma de assegurar máxima eficácia na coordenação e mobilização dos recursos de combate aos fogos disponíveis.
No total, já arderam cerca de 130 mil hectares desde 01 de janeiro em Espanha, de acordo com o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS).
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