
Washington, 24 fev 2025 (Lusa) — O Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou hoje que Angola tem de aprofundar os esforços de consolidação orçamental e combater as derrapagens orçamentais que surgiram desde o final do programa com o Fundo, em 2021.
“Os esforços de consolidação orçamental diminuÃram e os amortecedores construÃdos durante o Programa de Financiamento Ampliado, de 2018 a 2021, estão a ser corroÃdos por derrapagens orçamentais decorrentes de despesas de capital mais elevadas e de uma reforma mais lenta dos subsÃdios aos combustÃveis”, lê-se na análise do Fundo à economia de Angola.
O regresso a uma trajetória de consolidação orçamental “é fundamental para reforçar os amortecedores orçamentais e criar espaço para as necessidades de desenvolvimento”, por isso, o fundo sublinha “a importância de implementar plenamente as reformas dos subsÃdios aos combustÃveis, acompanhadas de medidas de atenuação destinadas a proteger os mais vulneráveis e da intensificação dos esforços de mobilização de receitas não petrolÃferas”.
No artigo IV, os administradores do FMI congratularam-se com a recuperação económica do ano passado, mas “salientaram os riscos persistentes da volatilidade dos preços do petróleo e das vulnerabilidades da dÃvida” e vincaram “a urgência de acelerar as reformas estruturais para reforçar a estabilidade macroeconómica e financeira e promover um crescimento diversificado e inclusivo”.
Na análise anual a todos os paÃses membros do FMI feita pelos economistas do fundo, diz-se que o kwanza caiu 10% no ano passado face ao dólar e que “as expectativas adversas do mercado e um serviço da dÃvida externa elevado continuam a pesar sobre a taxa de câmbio”.
Depois de uma expansão económica de 3,8% no ano passado, o FMI prevê que Angola abrande o crescimento para 3%, impulsionado principalmente pelo setor não petrolÃfero, e que a inflação desça para os 21%, em média, este ano.
A produção de petróleo deve melhorar ligeiramente para 1,262 milhões de barris por dia em 2024, para 1,266 milhões este ano, mas é o preço do petróleo que mais vai prejudicar as finanças públicas, já que o FMI prevê que o paÃs encaixe 31,5 mil milhões de dólares (30 mil milhões de euros) este ano, abaixo dos 35,4 mil milhões de dólares (33,7 mil milhões de euros) do ano passado.
“O elevado serviço da dÃvida externa limita as despesas de desenvolvimento e a dependência do petróleo continua a ser um obstáculo ao crescimento sustentável”, alertam novamente os economistas do FMI, avisando ainda que “os riscos de liquidez poderão intensificar-se caso as condições de financiamento se deteriorem, reduzindo ainda mais as despesas sociais e exercendo pressões sobre a taxa de câmbio”.
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