
Washington, 13 nov (Lusa) – O Fundo Monetário Internacional (FMI) mostrou hoje algum ceticismo em relação a reformas anunciadas pelo governo populista italiano, advertindo que têm riscos para a elevada dÃvida pública do paÃs.
Numa altura em que Roma e Bruxelas mantêm um braço-de-ferro sobre o orçamento italiano para 2019, o FMI, num relatório sobre a economia italiana, lembrou que o principal desafio desta continua a ser impulsionar o crescimento.
“Os rendimentos pessoais estão ao nÃvel de há 20 anos, o desemprego atinge quase 10% (…) e a emigração está ao nÃvel mais alto desde há quase 50 anos”, resumiu o FMI citando os fatores que levaram à chegada ao poder do Movimento Cinco Estrelas (antissistema) e da Liga (extrema-direita).
“O foco das autoridades no crescimento e na inclusão social é, por isso, bem-vindo”, acrescenta a organização.
O FMI recomenda “um conjunto de reformas estruturais, de consolidação orçamental através de medidas de qualidade”, com polÃticas que permitam um ligeiro excedente durante os próximos anos para “assegurar uma redução sólida da dÃvida”.
O governo italiano prevê um défice de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 e de 2,1% em 2020, com base numa previsão de crescimento de 1,5% em 2019. Para o FMI, o crescimento da economia italiana pode ser de apenas 1% e o défice orçamental pode ficar em 2,7% do PIB em 2019 e em 2,8% ou 2,9% em 2020.
Segundo a organização, a dÃvida pública deve manter-se em cerca de 130% do PIB nos próximos três anos colocando o paÃs à mercê de “pequenos choques” suscetÃveis de obrigar à adoção de medidas de austeridade, que transformariam um crescimento fraco em recessão.
O FMI manifestou particular preocupação com a promessa do governo de baixar a idade da reforma, “impondo um fardo mais pesado à s gerações futuras” e lembrou que as saÃdas do mercado laboral para a reforma não seriam compensadas por contratações comparáveis.
A instituição saudou, no entanto, a intenção do governo de aumentar o investimento público nos próximos anos e mostrou-se favorável ao princÃpio de um rendimento mÃnimo garantido para os mais desfavorecidos.
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