
Buenos Aires, 11 jan 2024 (Lusa) — O Fundo Monetário Internacional (FMI) vai disponibilizar 4,7 mil milhões de dólares (4,3 mil milhões de euros) para ajudar a Argentina a pagar a dÃvida externa e apoiar “os fortes esforços polÃticos” do novo Governo.
As duas partes confirmaram na quarta-feira que foi alcançado um acordo, que deverá ser aprovado pelo Conselho Executivo do FMI e implementado após a apresentação de “novas metas” no final de janeiro.
Num comunicado conjunto, destacaram que o programa de estabilização económica da Argentina “se desviou gravemente” e que as metas para o défice fiscal “não foram cumpridas por uma margem ainda maior”.
O FMI recordou ainda que “os objetivos no que toca à s reservas internacionais lÃquidas não foram cumpridos, com desvios em relação ao objetivo de final de ano de cerca de 15 mil milhões de dólares [13,7 mil milhões de euros]”.
O organismo multilateral disse apoiar “os fortes esforços polÃticos das novas autoridades para restaurar a estabilidade macroeconómica” e assim poder ajudar a Argentina “a satisfazer as necessidades da sua balança de pagamentos”.
O economista ultraliberal Javier Milei venceu as eleições presidenciais de novembro e foi empossado Presidente da Argentina a 10 de dezembro.
Durante o perÃodo de transição, em dezembro, Milei teve de recorrer a um empréstimo de curto prazo do Banco de Desenvolvimento da América Latina de 960 milhões de dólares (874 milhões de euros) para pagar os vencimentos de 21 de dezembro.
Após a confirmação do acordo, o ministro da Economia, Luis Caputo, indicou numa conferência de imprensa que o FMI estaria aberto à possibilidade de um novo acordo.
No entanto, disse que o executivo acredita que “é hora de o paÃs resolver os seus problemas financeiros solucionando os seus problemas estruturais subjacentes, que é o seu vÃcio pelos gastos públicos excessivos”.
A Argentina enfrenta graves desequilÃbrios macroeconómicos, que incluem, além da falta de reservas externas, o défice fiscal e uma inflação muito elevada, cujos dados de dezembro serão conhecidos hoje, mas que provavelmente fechará 2023 muito perto dos 200%.
Milei, que se define como um “anarcocapitalista” — uma corrente dentro do liberalismo que aspira a eliminar o Estado — implementou uma série de medidas para desregulamentar a economia, que nas últimas décadas tem sido marcada por um forte intervencionismo estatal.
Entre as medidas anunciadas estão uma desvalorização de 50% do peso argentino, cortes nos subsÃdios à energia e aos transportes e o encerramento de alguns ministérios.
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