
Maputo, 04 jul 2025 (Lusa) — Moçambique vai adquirir 12 radares de controlo de velocidade, com financiamento do Banco Mundial, no âmbito do Projeto de Comércio e Conectividade para a África Austral (SATCP), segundo informação da Administração Nacional de Estradas (ANE).
De acordo com o anúncio de adjudicação do concurso, consultado hoje pela Lusa, o qual foi lançado em setembro passado pela ANE, trata-se de um investimento de 13,7 milhões de meticais (182 mil euros) que se insere na componente de segurança e mobilidade do SATCP, para melhorar as infraestruturas de transporte e a fluidez no tráfego transfronteiriço, com impacto direto na redução de acidentes e no reforço das condições de circulação ao longo dos principais corredores do país.
Os índices de acidentes rodoviários em Moçambique são classificados como dramáticos, com as autoridades a apontarem o excesso de velocidade e a condução sob efeito de álcool como as principais causas.
Pelo menos 207 pessoas morreram em acidentes de viação nos primeiros três meses de 2025 em Moçambique, um aumento de 40% face ao mesmo período do ano anterior, anunciou em maio o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (Inatro).
De acordo com dados avançados pelo diretor da Divisão de Segurança Rodoviária do Inatro, Alcides Macucule, registaram-se 149 acidentes de janeiro a março, um aumento de 9% face aos 137 registados no mesmo período de 2024.
Em 15 de abril, o Governo moçambicano aprovou um Plano de Ação de Segurança Rodoviária, que prevê uma série de ações para reduzir o número de acidentes de viação, incluindo reforço das fiscalizações, alterações à legislação e intervenções em pontos considerados críticos, bem como a sensibilização das comunidades.
Envolve também a construção de um centro de atendimento pós-acidente em forma de projeto-piloto no distrito de Manhiça, província de Maputo, um dos pontos com elevado índice de sinistralidade no país.
Em todo o ano de 2024 morreram 825 pessoas em acidentes de viação no país, um aumento de 9% em comparação com o ano anterior, anunciou em 02 de maio o Presidente moçambicano.
“Estes acidentes afetam maioritariamente os grupos etários economicamente produtivos, representando 73% das vítimas. Além do enorme custo social, o custo económico dos acidentes de viação é avultado, com as mortes e ferimentos em acidentes de viação a custarem, ao país, cerca de 10% do seu PIB”, declarou na ocasião o Presidente moçambicano, Daniel Chapo.
Segundo informação oficial anterior do Banco Mundial, o projeto regional SATCP é financiado pela Associação Internacional de Desenvolvimento (AID), daquele grupo financeiro internacional, envolvendo um financiamento global de 380 milhões de dólares norte-americanos (323 milhões de euros), para apoiar Moçambique e o Maláui (países da África austral) na melhoria da coordenação do comércio, no desenvolvimento de cadeias de valor e na modernização das infraestruturas ligadas aos corredores moçambicanos de Nacala, Beira e Maputo.
De acordo com o Banco Mundial, o projeto irá assegurar que jovens e mulheres estejam bem representados entre os seus beneficiários, promovendo “oportunidades económicas diversificadas”, desenvolvimento inclusivo e integração regional.
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