
Lisboa, 24 mar 2026 (Lusa) — Uma retrospetiva dedicada ao “mockumentary”, que “persegue a intersecção realidade-ficção”, e a estreia de filmes sobre os artistas Vítor Rua e Zurita de Oliveira integram o festival IndieLisboa, a partir de 30 de abril.
Da programação da 23.ª edição, hoje divulgada pela organização, fará parte a estreia mundial de “Quem tem medo de Zurita de Oliveira?”, documentário de Francisca Marvão sobre uma das mulheres pioneiras do rock português.
Zurita de Oliveira, que morreu em 2015 aos 83 anos, é considerada a primeira mulher portuguesa a escrever, cantar e gravar uma música rock, intitulada “O bonitão do rock”, editada num EP em 1960.
O filme quer ainda refletir sobre a visibilidade de outras mulheres no panorama artístico, como contou a realizadora Francisca Marvão à agência Lusa em 2024.
“Quem tem medo de Zurita de Oliveira?” integra a secção IndieMusic, onde se estrearão igualmente “Rua (Isto não é um filme, é um cometa”, de João Bigos Campaniço, em torno do músico vanguardista Vítor Rua, e “Percursos Alternativos — Ecos de Garagem: o Rock em Viseu nos anos 80 e 90”, de Rui Mota Pinto.
Nesta secção, em que todas as sessões terão audiodescrição, vão ser mostrados, entre outros, filmes sobre a pianista brasileira Jocy de Oliveira e sobre o Newport Folk Festival, nos Estados Unidos.
Em parceria com a Cinemateca Portuguesa, o IndieLisboa faz uma retrospetiva dedicada ao ‘mockumentary’, ou falso documentário, um género “que persegue a intersecção realidade-ficção, que está dentro e fora, que dança com as limitações e possibilidades do cinema”.
Foram escolhidos filmes de Rob Reiner, Woody Allen, Ruben Ostlund, Sergio Oskman e Damien Houser, entre outros.
No programa IndieJúnior, lugar de iniciação dos mais novos no cinema, estará a longa-metragem “Olívia e o Terramoto Invisível”, de Irene Borra, ou os portugueses “Cão Sozinho”, de Marta Reis Andrade, e “A Emancipação de Mimi”, de Marcelo Pereira.
Todas as sessões no IndieJúnior destinadas aos espectadores do segundo e terceiro ciclos de escolaridade, e o filme de Irene Borra, vão ter legendagem descritiva e intérprete de língua gestual portuguesa.
Destaque ainda para a secção Boca do Inferno, “casa da bizarria, dos filmes-OVNI, dos universos invulgares”, contando, por exemplo, com “Dracula”, do realizador romeno Radu Jude, com a narrativa a decorrer “numa Transilvânia contemporânea com pescoços mordidos e greves de trabalhadores”.
A 23.ª edição do Festival Internacional de Cinema IndieLisboa está marcada de 30 de abril a 10 de maio, com sessões na Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa, Cinema Fernando Lopes, Cinema Ideal e Piscina Municipal da Penha de França.
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