Filme televisivo britânico dramatiza interrogatório da PJ a mãe de Madeleine McCann

Londres, 14 mai 2026 (Lusa) – O interrogatório conduzido pela Polícia Judiciária à mãe de Madeleine McCann, desaparecida em 2007 na Praia da Luz, no Algarve, é o tema central de um filme a transmitir na televisão britânica na próxima semana.

Intitulado “Sob suspeita: Kate McCann” (“Under Suspicion: Kate McCann”), o filme centra-se no momento específico da investigação, três meses após o desaparecimento da criança britânica de três anos, quando as autoridades portuguesas começaram a suspeitar dos pais. 

Baseado nos registos oficiais do interrogatório, o filme retrata de forma detalhada como Kate McCann foi confrontada pela Polícia Judiciária num tom acusatório, coincidindo com a divulgação de alegadas provas forenses incriminatórias. 

Segundo a sinopse, os investigadores estavam sob crescente pressão mediática internacional e escrutínio público perante a falta de pistas concretas, provas substanciais ou detenções. 

A narrativa acompanha o prolongado interrogatório, que se estende por várias horas, e o dilema enfrentado por Kate entre colaborar com as autoridades e salvaguardar a sua posição em termos jurídicos se fosse constituída arguida.

A possibilidade de ser formalmente acusada levanta, segundo o filme, receios de que a investigação se afaste da procura da criança, que nunca foi encontrada.

A reconstituição questiona o papel das autoridades portuguesas e a controvérsia que marcou uma das investigações mais mediáticas das últimas décadas.

O filme, com 90 minutos de duração, termina com o último interrogatório conduzido pela Polícia Judiciária, no qual Kate, a conselho dos advogados, opta por responder “sem comentários”.

A produção, descrita como “drama factual”, vai ser transmitida pelo Canal 5 na quarta-feira. 

Protagonizado pela atriz britânica Laura Bayston, no papel de Kate McCann, o elenco inclui os portugueses Joana Borja, Hugo Nicolau, Miguel Freire e Carlos Agualusa 

Em declarações citadas no material fornecido pelo canal, o argumentista, Philip Ralph, falou na dificuldade em dramatizar as notas dos interrogatórios escritas pelos agentes da PJ. 

“O maior desafio foi criar diálogos que representassem com precisão as perguntas da polícia portuguesa e a orientação do inquérito, garantindo simultaneamente que as respostas de Kate fossem fiéis ao registo e aos factos do caso”, disse. 

Ralph admitiu ter ficado surpreendido com as acusações “inacreditáveis” aos pais baseadas “em provas altamente questionáveis”, mas, no filme, evita analisar as “alegações, afirmações, inverdades e acusações”. 

“Ao abordar a história através do foco específico destas entrevistas, quis cortar todo esse ruído e aprofundar-me nos pormenores precisos do que aconteceu naquela sala, naqueles dias, entre Kate McCann e os agentes da PJ”, explicou. 

Desta maneira, explicou, “o filme oferece um antídoto muito necessário para a hipérbole e a teoria da conspiração que têm assombrado esta história há quase 20 anos”.

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