
São Paulo, 30 jun 2022 (Lusa) — O senador Flávio Bolsonaro, filho do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, disse hoje, numa entrevista, que será impossÃvel controlar reações dos apoiantes do Governo na hipótese de um resultado desfavorável nas eleições presidenciais.
Ao ser questionado pelo jornal O Estado de S.Paulo sobre qual será a posição do Presidente na hipótese de uma derrota em deter um levantamento contra o resultado das eleições, o senador respondeu: “Como a gente tem controlo sobre isso?”.
“No meu ponto de vista, o [Donald] Trump não tinha ingerência, não mandou ninguém para lá [invadir o Capitólio]. As pessoas acompanharam os problemas no sistema eleitoral americano, se indignaram e fizeram o que fizeram. Não teve um comando do Presidente e isso jamais vai acontecer por parte do Presidente Bolsonaro. Ele se desgasta. Por isso, desde agora, ele insiste para que as eleições ocorram sem o manto da desconfiança”, acrescentou.
Atualmente as sondagens divulgadas no paÃs dão a vitória ao ex-presidente LuÃs Inácio Lula da Silva, que aparece à frente de Bolsonaro.
À pergunta se o Presidente Bolsonaro – que reiteradamente coloca o sistema de votação eletrónica adotado no paÃs desde 1996 em causa – aceitará uma eventual derrota, o filho do chefe de Estado não respondeu nem que sim, nem que não.
“O Presidente [Bolsonaro] pede uma eleição segura e transparente, era o que o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] deveria fazer por obrigação. Por que não atende à s sugestões feitas pelo Exército se eles apontaram que existem vulnerabilidades e deram soluções?”, questionou Flávio Bolsonaro.
Na semana passada, o TSE abriu um prazo de 15 dias para que a PolÃcia Federal e as Forças Armadas se inscrevam para participar do processo de fiscalização das urnas eletrónicas, atendendo um pedido dos mesmos.
Os dois órgãos de Estado tem atuado de modo a corroborar as alegações do Presidente brasileiro que insistem em colocar em causa a segurança das urnas eletrónicas sem, no entanto, apontar publicamente indÃcios que sustentem estas suspeitas de que a votação pode ser ou já foi defraudada.
Na entrevista, o senador reforçou que as Forças Armadas apontaram vulnerabilidades no sistema de votação e acrescentou que se “o TSE não supre, não resolve esses problemas, é natural que essas pessoas, talvez via comandante do Exército, via ministro da Defesa, tenham que em algum momento se posicionar.”
“Para que chegar a este ponto? Essa resistência do TSE em fazer o processo mais seguro e transparente obviamente vai trazer uma instabilidade. E a gente não tem controlo sobre isso. Uma parte considerável da opinião pública não acredita no sistema de urnas eletrónicas”, considerou Flávio Bolsonaro.
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