Festival Kalorama termina hoje e já tem regresso marcado para agosto de 2027

Lisboa, 30 ago 2026 (Lusa) — O festival Kalorama, cuja 5.ª edição termina hoje e pela qual passaram cerca de cem mil pessoas, regressa ao Parque da Bela Vista, em Lisboa, no final de agosto de 2027, de acordo com a organização.

“Já temos mais dois anos fechados aqui com o Parque da Bela Vista – 2027 e 2028 – e as datas que nós apontámos no município foram efetivamente do último fim de semana de agosto. Portanto, é para aí que já estamos a trabalhar, aliás, já estamos a trabalhar artistas para essas datas”, disse à Lusa o diretor da promotora Last Tour Portugal, a poucas horas do encerramento da 5.ª edição do MEO Kalorama, que está a cargo dos norte-americanos Deftones.

O festival realizou-se pela primeira vez em 2022, entre 01 e 03 de setembro. A 2.ª e a 3.ª edição aconteceram no último fim de semana de agosto, mas no ano passado, o Kalorama aconteceu em junho.

Este ano, a organização decidiu voltar ao calendário inicial.

Embora pelas 19:30 de hoje, ainda se estivessem “a vender bilhetes”, Diogo Marques revelou que a lotação irá “passar garantidamente a 100 mil pessoas nesta edição”.

“É muito positivo face ao que estávamos a prever e face ao que nós queríamos. Nós queríamos nessa ordem [dos cem mil], mas já ultrapassámos, garantidamente, a barreira dos 100 mil festivaleiros, que denota, efetivamente, que o festival está nas datas certas, que está no caminho certo em termos de ‘line-up’ e da aposta que fizemos”, afirmou.

Nesta edição, cerca de 30% do público é constituído por estrangeiros, um pouco acima da edição anterior, em que foi cerca de 25%.

“O cartaz influencia muito a escolha do destino de Portugal como um destino de festivais e isso reflete-se nos anos anteriores. Já chegámos a ter 36% de público estrangeiro, noutros anos abaixo disso, 28/29%, mas andamos sempre nesta casa entre os 25 e os 35%”, referiu Diogo Marques.

Na sexta-feira, dia que teve o cantor britânico Robbie Williams como cabeça de cartaz, estiveram no recinto “trinta e tal mil pessoas”. No sábado, que teve a cantora norte-americana Lauryn Hill como atração principal “perto de quarenta mil”.

“Hoje ainda não sabemos, porque ainda não fechámos, mas garantidamente pelo menos 30 mil pessoas vamos ter”, referiu.

Nesta edição, a organização acabou por dividir os géneros musicais por cada um dos dias, tendo a pop dominado o primeiro dia, o hip-hop o segundo e o rock o último, algo que Diogo Marques considera “uma aposta ganha”.

“Tivemos uma franja de público que se repetiu, porque hoje, por exemplo, também temos hip-hop e também temos pop, e portanto isso faz a ligação dos três dias. Apesar de os ‘headliners’ [cabeças de cartaz, em português], como em todos os cartazes, marcarem um bocadinho o estilo de cada dia. O que verificamos, pelos números e pela satisfação das pessoas, é que se conseguirmos marcar cada dia por um dos estilos musicais mais forte, é uma aposta ganha”, afirmou.

Este ano, houve algumas críticas em relação ao horário de atuação do cabeça de cartaz do primeiro dia, Robbie Williams, que subiu a palco já depois da 01:00.

De acordo com Diogo Marques, “a questão foi que o próprio artista quis encerrar o dia do evento”.

“Ele quis ser o último a tocar e o último ‘slot’ era efetivamente à 01:20, e portanto ele tocou da 01:20 às 03:00 da manhã. Foi um concerto inacreditável e as pessoas esqueceram logo as críticas. O que teremos de pensar é se faz sentido ou não o festival ir até tão tarde, ou seja, passar a barreira das três da manhã. O que aconteceu foi mais uma exigência do que uma imposição nossa, a que nós respondemos, e vamos tentar ter isso em consideração nas próximas edições”, disse.

Além do Kalorama, a Last Tour Portugal está “a programar o lançamento de um próximo festival para o início do verão”.

“Mas não é um festival urbano, é outro género de festival, mais pequeno. Terá música também, mas terá outras vertentes de bem-estar, de preocupações ambientais”, adiantou o promotor.

A Sustentabilidade é, com a Música e Arte, um dos pilares do festival, que termina hoje, mas tem a decorrer online em setembro o leilão solidário MEO Kalorama, “uma das iniciativas de impacto social do festival”.

Cada um dos artigos pode ser licitado durante 14 dias corridos a partir do momento em que vai a leilão.

Pelas 21:00 de hoje já estavam em leilão álbuns autografados dos Interpol e de Robbie Williams, mas entretanto estarão também artigos de outros artistas que atuaram este ano no festival, como Grace Jones e Lauryn Hill.

A verba angariada no leilão destina-se à reabilitação do espaço que irá acolher o Gabinete de Apoio “Crescer + IGUAL”, da associação Questão de Igualdade – Associação para a Inovação Social, “uma resposta social dedicada à prevenção da violência através da educação para a igualdade e ao acompanhamento psicológico e social de crianças e jovens vítimas de bullying, violência no namoro, violência doméstica e outras situações de vitimação”.

JRS // SCA

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