
Porto, 09 out 2026 (Lusa) — O 37.º Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP) arranca hoje com espetáculos a partir de clássicos da literatura como “Crime e Castigo”, de Dostoievski, ou “Os Miseráveis”, de Victor Hugo.
“Na edição deste ano do FIMP temos grandes nomes da literatura, como Cervantes, Gogol, Victor Hugo, Dostoievski, mas também nomes do nosso tempo, como José Luís Peixoto, Regina Guimarães, que ajudaram a construir espetáculos que também são apresentados no festival”, disse à Lusa o diretor do FIMP, Igor Gandra.
Segundo Igor Grandra, há uma relação com a palavra escrita, por um lado, e por outro lado há a ideia de narrativas, ficções e realidades, um outro tipo de gestos que é o de “contar histórias da atualidade”.
No arranque do festival, o palco do Teatro Carlos Alberto (TeCA) acolhe as adaptações de dois romances históricos pela criadora belga Karine Birgé: “Crime e Castigo”, de Fiódor Dostoievski (hoje e sábado), e “Os Miseráveis”, de Victor Hugo (domingo e terça-feira), ambas com produção da companhia belga Karytiades.
Um outro destaque da 37.ª edição é o Projeto Transport, que vai trazer três peças de três companhias europeias, em que, a partir da ideia de transporte se vai falar da circulação das mercadorias em transporte rodoviário, o universo de camiões, áreas de serviço ou aeroportos e tudo em miniatura.
“São pequenas maquetes que são animadas à vista do público em tempo real, dos aeroportos, esses conhecidos como não-lugares, em que se as regras das fronteiras […] são bem claras, de acordo com o passaporte que se transporta”, explicou Igor Gandra.
O Projeto Transpor é “transnacional” e também “trans-citadino”, com apresentações diversas nos teatros Rivoli, Campo Alegre (Porto) e no Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery.
Trata-se de “um projeto de cooperação abrangente e transversal que reúne o esforço dos teatros da Eslovénia, Polónia, Estónia, Lituânia e República Checa, uma vez que une a(s) vontade(s) de cinco nações que, em regime de coprodução internacional, se envolveram para dar corpo à ideia artística do projeto”.
O FIMP 2026 decorre até dia 18 de outubro e vai ter cerca de meia centena de apresentações entre o conjunto dos espetáculos e outras atividades, com artistas nacionais, mas também da Lituânia, Polónia, Eslovénia, Bélgica, França, ou Espanha, referiu o diretor do festival, estimando uma “elevada adesão do público”, porque alguns espetáculos estão já esgotados.
A programação estende-se ainda ao público mais jovem, com espetáculos, sessões escolares e atividades em diferentes espaços do Porto e de Matosinhos.
O FIMP mantém os Fimpalitos, iniciativa dirigida às crianças para reforçar aproximação dos mais novos ao teatro e marionetes.
CCM // TDI
Lusa/Fim



