
Faro, 09 dez 2021 (Lusa) — O Festival Internacional de Cinema e Literatura do Algarve (FICLA) vai mudar-se para Faro na primavera de 2022, num formato herdado do original, realizado em Olhão, em 2019 e 2020, foi hoje anunciado.
A primeira edição do então Festival Internacional de Cinema e Literatura de Olhão (FICLO) decorreu em abril de 2019 e a segunda, inicialmente agendada para março de 2020, acabaria por ser adiada, devido às medidas de contenção da pandemia de covid-19, acabando por se realizar em julho.
Na sua terceira edição, o festival muda-se para a capital do Algarve, o “cenário propÃcio para a sua realização”, dada a dimensão da cidade, a sua massa associativa, o facto de albergar a Universidade do Algarve e da aposta que a autarquia está fazer na cultura, disse em conferência de imprensa uma das diretoras do festival.
Segundo Candela Varas, após o desaparecimento do programa cultural 365 Algarve, o festival “passou por momentos difÃceis”, mas “não morreu”, assumindo agora um novo nome, e, também, “novas ambições”, nomeadamente, alcançar maior projeção internacional e mais envolvimento com a comunidade.
O festival, apoiado pela Direção Regional da Cultura do Algarve e promovido, em coprodução, pelo Cineclube de Tavira e pela Câmara de Faro, envolverá também o Cineclube de Faro, um dos mais antigos do paÃs, e a associação ArQuente.
De acordo com a outra diretora do FICLA, Débora Pinho Mateus, o festival mantém “o impulso inicial de ser um festival que não se cinge à s adaptações de obras literárias ao cinema”, procurando “as ligações inusitadas que existem entre ambas as disciplinas”.
“Não queremos que haja protagonismo de uma arte sobre a outra, mas sim aproveitar o que de único cada uma delas tem para lançarmos temáticas contemporâneas”, sublinhou.
Com a terceira edição centrada em Faro, Débora Pinho Mateus não afastou a hipótese de o festival vir a ser alargado a mais locais, notando que algumas das atividades do festival “podem ir para outras cidades do Algarve”.
A antecipar a nova linha programática do FICLA, para sexta-feira e sábado está prevista a realização de vários eventos de entrada gratuita que pretendem explorar a nova metodologia do festival.
A programação arranca com a projeção do filme “Destello BravÃo”, da espanhola Ainhoa RodrÃguez, incluindo uma conversa com a realizadora, na sexta-feira, à s 21:30, no Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ).
No sábado, à s 11:00, na associação cultural ArQuente, a também produtora e guionista ministrará uma ‘masterclass’ onde vai explicar o processo de criação de “Destello BravÃo”.
No mesmo local, a coreógrafa, intérprete e dramaturga Sónia Baptista apresenta à s 17:00 a conferência-performance “E Hoje, é um Esquilo?”.
Segue-se à s 18:00, um colóquio sobre o desejo e o corpo da mulher no cinema e na literatura contemporânea, com RodrÃguez, Baptista e a investigadora Ana Isabel Soares.
A finalizar o programa, à s 19:00, está prevista uma ‘jam’ de textos à desgarrada com acompanhamento do músico Tomás Tello, em que o público será convidado a participar.
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