Ferroviária moçambicana avança em julho com duplicação da linha de Ressano Garcia

Maputo, 15 jun 2026 (Lusa) – A estatal Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) anunciou hoje que vai iniciar em julho a segunda fase da duplicação da linha de Ressano Garcia, que liga à África do Sul, num investimento global de 137,8 milhões de euros.

O CFM avança, em nota, que prepara uma nova etapa estratégica com a segunda fase da duplicação da linha de Ressano Garcia, infraestrutura que considera como um dos corredores logísticos mais importantes do país e “elo fundamental” entre Moçambique e a África do Sul.

“A previsão é que o empreiteiro responsável pela obra seja conhecido até julho, abrindo caminho para um projeto avaliado em cerca de 160 milhões de dólares [137,8 milhões de euros], destinado a reforçar a capacidade de transporte ferroviário e melhorar a fluidez de mercadorias ao longo do Corredor de Maputo”, explica a empresa.

Acrescenta que a primeira fase do projeto já permitiu aumentar a capacidade de transporte na linha de Ressano Garcia, em Maputo, de cerca de 13 milhões para 24 milhões de toneladas por ano, “demonstrando o papel decisivo da ferrovia na competitividade logística nacional”, apesar do atual “contexto desafiante”, marcado pelas recentes cheias que afetaram o sul do país.

Os fenómenos climáticos, avança-se, provocaram a paralisação da linha do Limpopo – segunda mais importante no país – durante cerca de três meses, causando perdas estimadas em 12 milhões de dólares (10,3 milhões de euros) e afetando a circulação de cerca de 130 comboios.

“Este cenário reforça uma mensagem essencial: expandir a capacidade ferroviária é fundamental, mas garantir infraestruturas resilientes aos eventos climáticos é igualmente urgente. O futuro da logística nacional exige investimento, modernização e capacidade de resposta”, refere a empresa.

O movimento na rede ferroviária em Moçambique praticamente duplicou no primeiro trimestre do ano, para 151.400 passageiros, recuperando dos efeitos das manifestações pós-eleitorais em 2025 e apesar dos efeitos das cheias, indica um relatório governamental.

De acordo com dados do Ministério dos Transportes e Logística, o plano para 2026 prevê o transporte total de quase 631 mil passageiros na rede ferroviária em Moçambique, sendo que o movimento do primeiro trimestre representou um aumento de 95% face aos 77.300 transportados de janeiro a março do ano passado.

Já no transporte ferroviário de mercadorias, o documento indica que foram movimentadas neste período de três meses 3,6 milhões de toneladas de carga diversa, um aumento de 14,9% face a 2025 e quase 20% da meta para todo o ano.

Contudo, nos mesmos primeiros três meses do ano, a estatal Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) registou prejuízos de 47 milhões de dólares (40,1 milhões de euros), resultantes de cargas não transportadas e da destruição de infraestruturas e equipamentos devido às cheias que afetaram, sobretudo, o sul do país.

O Governo moçambicano avançou em abril do ano passado que pretende investir quase 190 milhões de euros até 2030 na duplicação de linhas ferroviárias, aquisição de carruagens, locomotivas e vagões para reforçar a capacidade de transporte de passageiros e de mercadorias.

O executivo adiantou que quer investir o dinheiro na conclusão da duplicação dos restantes 25 quilómetros da linha férrea Ressano Garcia em Maputo, e também na aquisição de mais de 30 carruagens cujo objetivo é reforçar a capacidade de transporte de passageiros.

Pelo mesmo valor, pretende adquirir, até 2030, 250 vagões para responder à crescente procura de transporte de minerais e a compra de, pelo menos, 15 locomotivas de linha, conforme estimativas anteriores da empresa.

LCE (PVJ) // ANP

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