
Lisboa, 30 mar 2026 (Lusa) — Um estudo da associação ambientalista Zero concluiu que as famÃlias portuguesas podem chegar a desperdiçar mil toneladas de alimentos por dia, num exercÃcio de extrapolação, a partir de uma pequena amostra no municÃpio alentejano de Ourique.
A propósito do Dia Internacional do ResÃduo Zero, estabelecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 14 de dezembro de 2022, a Associação Sistema Terrestre Sustentável (Zero) alertou hoje que “uma população (bairro ou freguesia) de apenas 300 habitantes poderá desperdiçar até 12 toneladas de alimentos por ano nas suas habitações, colocando-os nos resÃduos indiferenciados”.
“Extrapolando estes dados, uma cidade de 100 mil habitantes poderá gerar 3.760 toneladas de alimentos desperdiçados que, em vez de serem consumidos por quem os adquiriu ou serem doados aos setores mais carenciados, terminam em unidades de tratamento de resÃduos ou, mais frequentemente, depositados em aterro”, lê-se em comunicado.
Segundo a pesquisa da Zero, “fazendo um exercÃcio para a realidade nacional com base nos dados recolhidos nas duas comunidades de Ourique, estarÃamos perante números de desperdÃcio alimentar que rondariam as 376 mil toneladas por ano, ou seja, 38 kg/habitante/ano, ou ainda, cerca de mil toneladas por dia”.
“O trabalho, desenvolvido em colaboração com o municÃpio de Ourique, no âmbito do programa de certificação “Zero Waste Cities”, analisou os resÃduos indiferenciados de três circuitos porta-a-porta do concelho, mediante uma amostra total de 250 kg, recolhida em dois momentos ao longo de um ano”, esclarece o texto.
Os especialistas relatam que “os resultados mostram que, mesmo havendo separação na origem dos biorresÃduos alimentares, as famÃlias tendem a colocar uma parte importante dos alimentos consumidos no lixo, sendo eles restos das refeições, frutas, legumes ou pão a granel, ou alimentos ainda nas suas embalagens”.
“No caso dos três bairros analisados em Ourique, com 150 habitações e dois estabelecimentos do canal HORECA (hotéis, restaurantes e cafés), 51% dos indiferenciados são biorresÃduos e o desperdÃcio alimentar (restos de comida cozinhada, avulso ou misturado com embalagens) mantém uma expressão significativa, representando 28% dos biorresÃduos e 16% do total de resÃduos caracterizados”, conclui a organização não governamental Zero.
Ainda segundo a mesma fonte, “considerando que a recolha da fração indiferenciada ocorre três vezes por semana, e assumindo que a composição dos resÃduos se mantém constante ao longo do tempo, estima-se que, ao fim de um ano, sejam desperdiçadas mais de 12 toneladas de alimentos, apenas nestes três bairros e apenas na fração de lixo indiferenciado”.
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