
Lisboa, 06 mar 2026 (Lusa) — A famÃlia do presidente eleito do parlamento da Guiné-Bissau e atual opositor, Domingos Simões Pereira, voltou hoje a pedir à comunidade internacional pressão para a libertação do polÃtico, quando se cumprem 100 dias “desde o sequestro”.
“Hoje, 6 de março de 2026, completam-se 100 dias desde o sequestro de Domingos Simões Pereira, cidadão guineense, Presidente da Assembleia Nacional Popular e Presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), ocorrido a 26 de novembro de 2025”, dizem numa missiva enviada à Lusa.
A famÃlia do polÃtico guineense afirma que “este ato arbitrário foi cometido por indivÃduos sem qualquer legitimidade, legal, popular, partidária ou constitucional, em representação do autointitulado ‘Alto Comando Militar'”.
No texto, assinado pela famÃlia de Simões Pereira, lê-se que o polÃtico “encontra-se confinado à sua residência, sob vigilância permanente de mais de 50 homens fortemente armados, numa tentativa de o silenciar, impedir de exercer os seus direitos fundamentais e isolar do contacto com a famÃlia, amigos e com o Povo que legitimamente representa na Assembleia Nacional Popular”.
Simões Pereira foi detido no dia 26 de novembro na sequência de um golpe de Estado protagonizado por militares, em vésperas da publicação dos resultados provisórios de eleições legislativas e presidenciais de 23 de novembro.
A famÃlia do polÃtico apela novamente “à comunidade internacional, em particular à CEDEAO, União Africana, CPLP (Comunidade dos PaÃses de LÃngua Portuguesa), União Europeia e Nações Unidas, para que sejam implementadas as ações constantes das resoluções já aprovadas”.
Os militares tomaram o poder na Guiné-Bissau a 26 de novembro de 2025, um dia antes da divulgação dos resultados oficiais das eleições gerais, presidenciais e legislativas, de 23 de novembro, em que o candidato da oposição, Fernando Dias, reclamou vitória sobre o Presidente cessante e candidato a um segundo mandato, Umaro Sissoco Embaló.
O paÃs foi suspenso de todas as organizações internacionais de que era membro, nomeadamente da CPLP, da CEDEAO e da União Africana.
A CEDEAO e a União Africana têm mediado o processo de transição na Guiné-Bissau, com novas eleições gerais marcadas para 06 de dezembro pelos militares, que já alteraram a lei dos partidos, a lei eleitoral e a Constituição do paÃs, conferindo mais poderes ao Presidente da República.
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