
Lisboa, 24 abr 2024 (Lusa) — O Presidente da República de Cabo Verde considera que as medidas do Governo na área dos transportes se traduzem numa “enorme ineficiência” e que a falta de voos interilhas causa prejuÃzos e põe em causa até a segurança nacional.
Em entrevista à agência Lusa em Lisboa, onde se encontra para participar nas cerimónias dos 50 anos do 25 de Abril, José Maria Neves disse que “não têm havido soluções eficazes para a resolução” da questão dos transportes aéreos e marÃtimos.
“Há uma grande ineficácia que tem posto em causa a coesão territorial, a competitividade das empresas e trazido enormes prejuÃzos à s pessoas”, apontou.
A companhia aérea angolana BestFly World Wide, acionista maioritária da Transportes Interilhas de Cabo Verde (TICV), anunciou na terça-feira que vai deixar Cabo Verde e culpou o “ambiente de negócios tóxico e punitivo”, criticando a forma como foi tratada pelas autoridades.
A marca detinha a concessão atribuÃda pelo Governo dos voos interilhas, cujo serviço se deteriorou por falta de aviões, ao ponto de os voos terem sido suspensos no inÃcio do mês.
“Penso que, neste domÃnio, as parcerias não têm funcionado. Já estamos na terceira parceria, primeiro com a Binter, depois a Icelandair e a BestFly. Neste momento, as negociações para novas parcerias têm que ser feitas em bases mais sustentáveis”, defendeu.
E acrescentou: “É preciso que as decisões tenham em conta a complexidade da situação dos transportes aéreos e marÃtimos interilhas. O Governo tem de preparar decisões muito mais abrangentes e muito mais eficazes para se resolver definitivamente esta situação”.
Sobre os prejuÃzos que as sucessivas crises nos transportes interilhas têm causado, José Maria Neves disse que são “enormes” para “as empresas que têm os seus negócios fortemente prejudicados e há também prejuÃzos para as famÃlias. Muitas pessoas que querem deslocar-se entre as ilhas e têm dificuldades em fazê-lo, precisamente por causa dos constrangimentos existentes”.
Os prejuÃzos estendem-se à s diferentes ilhas e municÃpios do paÃs: “Há um conjunto de realizações que não têm sido possÃveis ou não têm tido o impacto necessário porque não há transportes”.
E exemplificou com o adiamento da Taça de Futebol de Cabo Verde, cujos jogos foram adiados ‘sine die’ porque as equipas campeãs não podem deslocar-se pelas diferentes ilhas e “a grande festa da ilha do Fogo”, em 01 de maio.
“É uma das grandes festas nacionais e com uma presença muito forte da emigração, particularmente dos Estados Unidos, de onde chegam centenas de cabo-verdianos, e chegam também à ilha centenas de cabo-verdianos de outras ilhas”, observou.
Há ainda “empresas que estão a queixar-se da escassez de produtos e os hotéis”.
“O impacto socioeconómico é muito forte”, disse, acrescentando que os problemas atingem até a segurança nacional, além de por em causa o transporte de doentes para ilhas onde existem serviços de saúde mais diferenciados.
“Temos de garantir a mobilidade de pessoas, mobilidade dos órgãos de soberania, entre as diferentes ilhas, não pode haver constrangimentos desta natureza”, indicou.
E defendeu a adoção de “medidas emergenciais” da parte do Governo para, mais tarde, se encontrarem “outras soluções mais duráveis”.
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