Exposição de fotografia mostra 50 anos de viagens do jornalista Pedro Caldeira Rodrigues

Lisboa, 25 jun 2026 (Lusa) — Uma exposição de fotografia que revela o olhar “inesperado” do jornalista Pedro Caldeira Rodrigues, acompanhando mais de 50 anos de viagens e observação, vai estar patente na Casa da Imprensa, em Lisboa, a partir de 01 de julho.

A mostra “Fotógrafo Improvável — Pedro Caldeira Rodrigues” reúne as imagens captadas ao longo de décadas por um jornalista e repórter de Política Internacional que, “sem nunca ter procurado construir uma carreira fotográfica, foi guardando um vasto arquivo visual das geografias, conflitos, pessoas e momentos que encontrou pelo caminho”, indicou a Casa da Imprensa, em comunicado.

Patente até 18 de setembro, esta exposição inaugura uma iniciativa criada pela Casa de Imprensa e pela Associação CC11, designada “Fotógrafo Improvável”, que visa apresentar anualmente o trabalho fotográfico de uma pessoa oriunda de outra área profissional que não a fotografia, mas “cujo percurso visual merece ser descoberto e apresentado em contexto expositivo”.

Esta rubrica “nasce precisamente desse encontro entre acaso e persistência”, sendo disso exemplo as fotografias de Pedro Caldeira Rodrigues, que “foram sendo acumuladas ao longo de viagens, reportagens e momentos pessoais, como uma espécie de diário paralelo de uma vida dedicada a observar o mundo”, destaca.

Nas palavras do próprio autor, “as fotografias podem ser penosas”, pois “assaltam-nos sem aviso, suscitando profunda nostalgia”.

“Ressuscitam quem já morreu, envelhecem quem ainda está vivo”, mas são também imagens que “transportam para um sedutor imaginário, quando convocam boas recordações e apontam para caminhos de esperança”, acrescenta o jornalista, que esteve na fundação do jornal Público, em 1989, e terminou a sua carreira profissional na agência Lusa, em 2024, quando se reformou.

Inspirado por fotógrafos como Robert Capa, Robert Frank ou Juan Rulfo, Pedro Caldeira Rodrigues construiu, “sem intenção inicial, um arquivo feito de encontros: paisagens, culturas, cidades, conflitos, manifestações, fronteiras, celebrações e pequenos gestos do quotidiano”.

Da antiga Jugoslávia à Ucrânia, da Turquia à Grécia, de Timor-Leste a Cuba, dos Andes ao Japão, passando por Lisboa, as imagens foram captadas em contexto de reportagem, mas também em momentos de pausa, quando a câmara “regista o que escapa ao texto: rostos, silêncios, ambientes e fragmentos de vida”.

Para o jornalista Aurélio Faria, autor do texto de sala da exposição, “Foto´grafo Improva´vel” e´ uma “confissa~o da carreira longa e consagrada do Pedro”.

Uma carreira em que “cinco de´cadas de Histo´ria passam pela ca^mara acidental de um repo´rter que nunca precisou de fotografias para explicar visualmente a complexa realidade do mundo”.

Segundo Aure´lio Faria, estas imagens “exibem fragmentos de vidas que nem sempre couberam nas reportagens: a vida comum, os si´mbolos poli´ticos e os gestos discretos, a persiste^ncia das pessoas que atravessam a Histo´ria sem deixar nome”, um conjunto que revela “um arquivo involunta´rio dos mundos calcorreados pelo Pedro”.

Nascido em Lisboa, em 1958, Pedro Caldeira Rodrigues dedicou grande parte da sua carreira jornalística na secc¸a~o Internacional, a partir da qual acompanhou durante anos grandes acontecimentos geopoli´ticos, com particular destaque para os Balca~s.

Licenciado em Histo´ria pela Universidade de Lisboa, com mestrado posterior, foi professor antes de se dedicar ao jornalismo.

Ao longo da sua atividade como repo´rter e jornalista de Poli´tica Internacional, esteve em dezenas de pai´ses, escreveu livros e ensaios, colaborou em televisa~o e ra´dio e participou em documenta´rios.

AL // TDI

Lusa/Fim