
Luanda, 21 ago 2024 (Lusa) — Três crianças morreram e seis outras ficaram feridas na explosão de uma granada, na provÃncia de Luanda, o décimo acidente com explosivos este ano, avançou hoje à Lusa o diretor da Agência Nacional de Ação contra Minas.
Segundo Leonardo Sapalo, o acidente foi registado na tarde de terça-feira no municÃpio de Cacuaco, atingindo as crianças entre os 2 e 12 anos.
Esta informação foi também confirmada pelo porta-voz da PolÃcia de Luanda, Euler Matari, avançando que os menores se encontravam a brincar numa lixeira próximo das suas residências, de onde retiraram alguns materiais ferrosos que levaram para casa.
“Em casa, um dos meninos terá puxado a espoleta da granada, que segundos depois deflagrou, ficando seis crianças feridas, destas quatro [com ferimentos] graves, e três crianças acabaram por perder a vida no local”, disse à Lusa Euler Matari. Â
Por sua vez, Leonardo Sapalo disse que as crianças manusearam indevidamente uma granada de mão, encontrada numa lixeira no bairro Boa Esperança, em Cacuaco.
O diretor da Agência Nacional de Ação contra Minas referiu que continuam as campanhas de sensibilização sobre o perigo das minas, sobretudo nas áreas de maior contaminação, onde há operações de desminagem, com equipas especÃficas de educação do risco de engenhos explosivos.
“A verdade é que temos que criar mais dinamismo nesse pilar para que a informação seja cada vez mais abrangente a todos os residentes no nosso território”, frisou.
Em Luanda, é o primeiro acidente este ano, havendo já registos nas provÃncias da Lunda Norte, Huambo, Cuando Cubango, Cuanza Norte, Cunene e Bié, totalizando dez acidentes com engenhos explosivos.
“Só no primeiro semestre temos o registo de 13 feridos e dez óbitos, maioritariamente crianças, os que mais brincam com esses artefactos, bem como adolescentes que fazem a recolha de material ferroso para casas de peso”, salientou.
Relativamente à s ações de desminagem no paÃs, Leonardo Sapalo disse que esta tarefa continua “com intensidade reduzida”, porque diminuÃram as ajudas financeiras.
“Há esforços grandes para a mobilização de recursos [financeiros] no sentido de revertermos a situação de existência ainda de áreas conhecidas como contaminadas com engenhos explosivos, esse esforço vem sendo feito para o paÃs ganhar nova dinâmica”, frisou.
De acordo com o responsável, o paÃs tem o registo de 1.039 áreas com 70 milhões de metros quadrados por desminar, uma situação que com a mobilização de recursos financeiros nacionais e internacionais “pode ser revertida imediatamente”.
Leonardo Sapalo declarou que o paÃs tem disponÃveis recursos humanos e materiais, mas precisa de mobilizar recursos financeiros no total de 238 milhões de dólares (219,5 milhões de euros), para, pelo menos 85% das áreas conhecidas ficarem livres de minas, num espaço de dois anos e meio.
As áreas contaminadas compreendem as provÃncias do Cuando Cubango, Moxico, Bié, Cuanza Sul, Lunda Norte, Lunda Sul, Bengo e Cabinda, havendo algumas regiões que gradualmente vão ficando limpas, como o Huambo, “que está praticamente em fase de conclusão”, UÃje, Zaire e Cuanza Norte.
Continuam a ser os maiores parceiros financeiros de Angola, os Estados Unidos, Reino Unido, Bélgica, Noruega e o Japão.
“Esses ainda estão mesmo connosco. Em termos de atores diretos internacionais temos a destacar a The Halo Trust, a Ajuda Popular da Noruega, a MAG e a APOPO, sendo a nacional a Apacominas, que tem merecido apoio do Japão, estando em contactos avançados com a Bélgica para aprovação de propostas”, disse.
Também o Governo angolano está engajado para ter operacionais as brigadas de desminagem do centro nacional de desminagem das Forças Armadas Angolanas, para desencadear uma operação para a eliminação de áreas identificadas.
Leonardo Sapalo observou que são investimentos avultados e o processo é complexo devido à multiplicidade de atores envolvidos no perÃodo de guerra em Angola.
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