
Jerusalém, Israel, 27 jul 2025 (Lusa) – O exército israelita anunciou que ia facilitar a passagem de ajuda humanitária para o território palestiniano, e a ONU, por seu turno, afirmou hoje que pretende chegar ao maior número possÃvel de pessoas.
O primeiro-ministro de Israel instou a ONU a deixar de culpar o Governo pela situação humanitária em Gaza, depois do anúncio do exército.
“Há corredores seguros. Sempre existiram, mas hoje é oficial. Não haverá mais desculpas”, disse Benjamin Netanyahu durante uma visita a uma base aérea.
A ONU saudou o anúncio e afirmou que pretende chegar ao maior número possÃvel de pessoas na Faixa de Gaza,
O Programa Alimentar Mundial (PAM) afirmou ter alimentos suficientes, já disponÃveis ou a caminho da região, para os 2,1 milhões de pessoas na Faixa de Gaza durante quase três meses.
O responsável humanitário da ONU, Tom Fletcher, saudou o anúncio destas “pausas humanitárias”.
“Estamos em contacto com as nossas equipas em terra, que farão todo o possÃvel para chegar ao maior número possÃvel de pessoas famintas”, escreveu na rede social X.
O PAM indicou que os intervalos e corredores devem permitir a distribuição segura de alimentos de emergência.
“A ajuda alimentar é a única forma real de a maioria das pessoas em Gaza se alimentar”, afirmou, em comunicado, acrescentando que um terço da população não come há vários dias e que 470 mil pessoas em Gaza estão a “experimentar condições semelhantes à fome” que podem levar à morte.
De acordo com o PAM, são necessárias 62.000 toneladas de alimentos mensalmente para satisfazer as necessidades de toda a população de Gaza.
A agência da ONU afirmou ainda que, além da pausa anunciada, Israel comprometeu-se a permitir a entrada de mais camiões em Gaza com procedimentos de desalfandegamento mais rápidos e garantiu que não haverá mais “força armada ou tiroteios perto de comboios”.
“Juntos, esperamos que estas medidas permitam um aumento da ajuda alimentar de emergência para chegar à s pessoas famintas sem mais atrasos”, afirmou o PAM.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou que Israel, enquanto potência ocupante de Gaza, tem a obrigação de garantir o fornecimento de alimentos suficientes à população.
“As crianças estão a morrer de fome diante dos nossos olhos. Gaza é uma paisagem distópica marcada por ataques mortais e destruição total”, afirmou em comunicado.
O responsável criticou a Fundação Humanitária de Gaza (FGH), uma organização privada apoiada pelos Estados Unidos e por Israel, que começou a distribuir mantimentos alimentares no final de maio passado, quando os esforços organizados pela ONU foram bloqueados.
De acordo com Turk, os “locais de distribuição caóticos e militarizados” da FGH “falham completamente em prestar ajuda humanitária à escala e à s proporções necessárias”.
Segundo o gabinete do responsável, as forças israelitas mataram mais de mil palestinianos que tentavam recuperar alimentos desde que o GHF iniciou as suas operações, quase três quartos deles perto das suas instalações.
“A fome do povo de Gaza deve acabar agora”, insistiu o alto comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi, na rede social X, garantindo estar “ao lado dos colegas da ONU e das organizações não-governamentais (ONG), pronto para prestar assistência vital, desesperadamente necessária a centenas de milhares de pessoas em risco de morte”.
Na sexta-feira, o Gabinete da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), dirigido por Fletcher, alertou que as condições em Gaza “já eram catastróficas e estavam a deteriorar-se rapidamente”.
O OCHA anunciou que as equipas da ONU estavam a postos para aumentar as entregas em território palestiniano “assim que fossem autorizadas”.
“Se Israel abrir a fronteira, permitir a entrada de combustÃvel e equipamento e permitir que as equipas humanitárias operem em segurança, a ONU vai acelerar a entrega de ajuda alimentar, serviços de saúde, água potável (…) e materiais de abrigo”, garantiu.
Â
NL // EJ
Lusa/Fim
Â



