
Rangum, 03 fev 2021 (Lusa) – O exército de Myanmar, que tomou o poder após um golpe de Estado na segunda-feira, apresentou hoje uma queixa judicial contra a anterior lÃder civil, Aung San Suu Kyi, por violação de uma lei de importação e exportação.
De acordo com fontes policiais de Rangum citadas pela agência EFE, além da queixa contra a lÃder da Liga Nacional para a Democracia, os militares também processaram o presidente deposto, Win Mynt, por falta de respeito pelas normas impostas contra a propagação da pandemia de covid-19.
Segundo os documentos citados, os militares acusam Aung San Suu Kyi, em prisão domiciliária desde segunda-feira, de possuir um aparelho eletrónico de telecomunicações cuja aquisição e utilização só é permitida ao Governo ou ao Exército.
De acordo, com as mesmas fontes, Aung San Suu Kyi pode ser condenada a três anos de prisão pelo uso do aparelho encontrado, segundo o Exército, no local onde reside.Â
As detenções e o golpe de Estado militar ocorreram segunda-feira, horas antes de o parlamento eleito nas anteriores eleições iniciar a primeira sessão.
O Exército de Myanmar (antiga Birmânia) declarou na segunda-feira o estado de emergência e assumiu o controlo do paÃs durante um ano, após a detenção de Aung San Suu Kyi, do Presidente do paÃs, Win Myint, e de outros lÃderes governamentais.
O paÃs emergiu há apenas 10 anos de um regime militar que estava no poder há quase meio século.
Para justificar o golpe de Estado, imediatamente condenado pela comunidade internacional, os militares asseguraram que as eleições legislativas de novembro passado foram marcadas por “enormes irregularidades”.
Os militares evocaram ainda os poderes que lhes são atribuÃdos pela Constituição, redigida pelo Exército, permitindo-lhes assumir o controlo do paÃs em caso de emergência nacional.
O partido de Aung San Suu Kyi, que está no poder desde as eleições de 2015, venceu por larga maioria as eleições de novembro.
A situação polÃtica no paÃs é igualmente marcada pelo genocÃdio contra a população de etnia rohingya pelo Exército que cometeu atos de extrema violência que não foram condenados por Aung San Suu Kyi.
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