Exames: IL pede audição urgente de atual e ex-presidente do Júri Nacional sobre prova-piloto de Filosofia

Lisboa, 23 jul 2026 (Lusa) – A IL pediu hoje uma audição urgente do presidente do Júri Nacional de Exames (JNE) e do seu antecessor para apurar que informações foram transmitidas ao Governo sobre o projeto-piloto de digitalização dos exames de Filosofia em 2025.

Num requerimento dirigido à presidente da Comissão de Educação e Ciência, a bancada liberal justifica o pedido de audição parlamentar com a necessidade de “restaurar a confiança no mecanismo de avaliação dos exames nacionais”, perante o que considera serem “informações contraditórias” sobre o projeto-piloto.

O partido pretende ouvir o atual presidente do JNE, Rui Pires, e o seu antecessor, Luís Duque de Almeida, depois de o ministro da Educação, Fernando Alexandre, ter afirmado no Parlamento que o Governo “não tem relatório nenhum” sobre o projeto-piloto realizado no ano passado e acusado o ex-presidente do JNE de nunca o ter entregue.

A IL salienta que já apresentou “vários requerimentos para obter esclarecimentos relativamente a todo este processo” e que tem procurado, em particular, perceber a razão pela qual o ministro da Educação “decidiu alargar a digitalização de forma transversal, em vez de optar por uma implementação faseada só para alguns exames do 11.º ano”.

“Dúvidas que ficaram sempre por responder, o que não se entende quando muitas das falhas que foram reportadas agora, já tinham sido conhecidas em 2025 no projeto piloto, como foi dado a conhecer por vários órgãos de comunicação social”, escrevem os liberais.

Os liberais, com estas audições, pretendem “apurar que informações foram transmitidas à tutela” sobre a digitalização da avaliação dos exames testada no ano passado.

Na quarta-feira, a IL entregou também um pedido para que o Ministério da Educação envie ao Parlamento toda a correspondência trocada entre o Governo, o IAVE e o JNE sobre o projeto-piloto de Filosofia, bem como a documentação de suporte à decisão de generalização da classificação digital dos exames.

O partido afirmar ser “impulsionador de reformas em Portugal” e que “sempre defendeu a modernização do Estado”, mas ressalva que uma reforma tem que ser “bem planeada e gerida para minimizar erros que podem ser evitados”.

Caso contrário, acrescenta, essas falhas “servem de combustível para aqueles que não querem reformar nada e que se alimentam do imobilismo para semear preconceitos infundados nos portugueses”.

A IL considera que a “tecnologia tem acelerado e otimizado processos”, mas que a digitalização dos exames “não tem corrido bem” em Portugal, apontando para “vários erros de diversas proveniências”, que resultaram na publicação de pautas com notas suspensas e com outro tipo de erros.

Apesar dos atrasos na divulgação das notas, o Ministério manteve os calendários do concurso de acesso ao ensino superior, que termina a 06 de agosto, bem como os da segunda fase dos exames.

Contudo, foi criada uma época especial de exames, a decorrer entre 03 e 08 de setembro, aberta a todos os alunos elegíveis para as provas na segunda fase, independentemente de as terem realizado ou não.

Pela primeira vez este ano, os cerca de 300 mil exames nacionais do ensino secundário foram avaliados em formato digital, mas o processo registou várias falhas técnicas.

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