
Lisboa, 11 jun 2026 (Lusa) – O ex-secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna (MAI), António Pombeiro, insistiu hoje “que existe alguma beliscadura” na folha do atual presidente da empresa que gere o SIRESP, contra quem disse não ter “nada pessoal”.
“Em termos de gestor público, acho que a folha não se deve encontrar minimamente beliscada, e acho aqui que existe alguma beliscadura na folha do senhor general [Paulo Viegas Nunes] enquanto foi presidente da Siresp S.A.”, afirmou António Pombeiro, ouvido hoje na Assembleia da República, na sequência da sua demissão em maio do cargo, alegando “irregularidades graves” na gestão da Siresp S.A. durante a presidência de Viegas Nunes, de 2022 a 2024.
O pedido de demissão foi apresentado em 22 de maio de 2026, o mesmo dia em que Paulo Viegas Nunes regressou à liderança da empresa que gere o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP).
Entre as questões invocadas por António Pombeiro estão alegados conflitos de interesses de um então diretor técnico da Siresp S.A., bem como a contratação para funções de consultadoria de uma empresa de alguém com quem Paulo Viegas Nunes teria uma relação pessoal.
“O que me suscita alguma perplexidade é o facto de os atores se irem repetindo”, afirmou hoje o ex-secretário-geral adjunto do MAI, criticando ainda o facto de o major-general se ter demitido da Siresp S.A. em 2024, “numa altura crítica” do calendário do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), para ser chefe de gabinete do chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e agora regressar.
Numa audição da Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias a pedido da IL e do Chega, António Pombeiro rejeitou ainda ter algo de pessoal contra Paulo Viegas Nunes, apesar de, reconheceu, ter uma visão oposta à do major-general em relação ao futuro do SIRESP.
Em causa está o facto, explicou, de o militar preferir uma aproximação da rede de comunicações de emergências ao Exército, enquanto o ex-secretário-geral adjunto do MAI, oficial superior de informações, defende uma interligação com a Rede Nacional de Segurança Interna.
A maior capilaridade no território nacional da infraestrutura tecnológica do MAI foi uma das justificações dadas por António Pombeiro para sustentar a sua posição.
Em maio, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, rejeitou a existência de ilegalidades na gestão da rede SIRESP durante a presidência de Paulo Viegas Nunes, referindo que as alegadas situações foram “inteiramente escrutinadas na auditoria” da Inspeção-Geral das Finanças sem que fossem apontadas ilegalidades.
A rede de comunicações SIRESP tem sido marcada por várias polémicas desde que foi criada, tendo sofrido as maiores alterações após as falhas no combate aos incêndios de 2017, mas voltou a ter limitações no apagão de 2025 e na tempestade Kristin que afetou a região centro no fim de janeiro.
IB (CMP) // JMR
Lusa/Fim
