Ex-primeira-dama de Cabo Verde defende mais mulheres na liderança política

Praia, 25 nov 2025 (Lusa) – A advogada e ex-primeira-dama de Cabo Verde, Lígia Fonseca, lançou hoje um manifesto a pedir aos partidos políticos que escolham mais mulheres para cargos elegíveis nas próximas eleições legislativas, em 2026.

“Escrevo este manifesto movida pela urgência e justiça de ver mais mulheres nos espaços de tomada de decisão do nosso país. É tempo de os partidos políticos assumirem um compromisso real com a igualdade de género, designando mais mulheres para cargos elegíveis nas próximas eleições legislativas de 2026 e, sobretudo, apresentando candidatas à presidência da Assembleia Nacional”, afirmou a mulher do antigo Presidente Jorge Carlos Fonseca.

Lígia Fonseca, que foi primeira-dama entre 2011 e 2021, apela aos partidos para que não se limitem a incluir mulheres nas listas, mas que as coloquem em posições verdadeiramente elegíveis, garantindo uma representação feminina no parlamento, condizente com a composição da sociedade cabo-verdiana.

A título de exemplo, recorda que a presidência da Assembleia Nacional tem sido, até hoje, um cargo ocupado “exclusivamente por homens”.

“A representatividade não é apenas um princípio democrático, mas uma necessidade social. As mulheres trazem experiências de vida, sensibilidades e prioridades que enriquecem o debate parlamentar e promovem justiça social”, afirmou, alegando que a sub-representação feminina perpetua desigualdades estruturais e limita a pluralidade de perspetivas essenciais a uma democracia sólida.

“Quando as mulheres ocupam cargos de poder, tornam-se modelos para as novas gerações e quebram estigmas. A sua presença visível e ativa nas estruturas de decisão política é, por si só, uma forma de combate à violência simbólica, à exclusão e ao silenciamento das vozes femininas”, acrescentou.

O manifesto surge numa altura em que o país se prepara para realizar eleições legislativas, em 2026, que deverão ser agendadas para uma data entre abril e junho.

Em maio, a coordenadora residente das Nações Unidas, Patrícia Portela de Sousa, alertou para as múltiplas formas de discriminação que afetam, em particular, as mulheres com deficiência, muitas vezes excluídas de políticas públicas e espaços de decisão.

“Precisamos de garantir espaços de poder com rosto feminino e não permitir que a violência política, incluindo a violência online, afaste as mulheres dos centros de decisão”, referiu na altura.

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