
Haia, PaÃses Baixos, 16 set 2026 (Lusa) – Um tribunal especial para o Kosovo, sediado em Haia, condenou hoje o antigo Presidente Hashim Thaçi a 25 anos de prisão por crimes de guerra cometidos pela guerrilha kosovar na década de 1990.
O painel de juÃzes internacionais das Câmaras Especializadas para o Kosovo considerou Thaçi culpado, entre outras acusações, de “detenção ilegal, tortura, homicÃdio e tratamento cruel”.
Vestindo fato e gravata, Thaçi — de 58 anos – permaneceu em silêncio enquanto o juiz presidente do tribunal, Charles Smith, lia a sentença.
Thaçi enfrentava múltiplas acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade — incluindo homicÃdio, tortura e perseguição — juntamente com outros três antigos lÃderes do Exército de Libertação do Kosovo (ELK), que combateram as forças sérvias na guerra de 1998-1999.
Thaçi ascendeu ao poder polÃtico após a guerra, mas renunciou ao cargo de Presidente para se defender perante o tribunal de Haia.
Os procuradores do tribunal das Câmaras Especializadas do Kosovo pediram uma pena máxima de 45 anos de prisão para Thaçi e para os outros arguidos: Kadri Veseli, Rexhep Selimi e Jakup Krasniqi. Todos negaram as acusações feitas pela Procuradoria.
Milhares de pessoas concentraram-se em Pristina, capital do Kosovo, durante o fim de semana em apoio aos quatro homens. Os manifestantes encheram uma praça central da capital, muitos transportando bandeiras albanesas vermelhas e pretas.
Retratos dos quatro ex-combatentes do ELK foram espalhados pela cidade, juntamente com um enorme relógio digital que fazia a contagem decrescente para os veredictos de hoje.
“Ao longo da minha vida, estive ao lado do povo do Kosovo a defender a liberdade, a vida e a dignidade. Sempre me guiei pelos ideais ocidentais de democracia, igualdade e justiça”, disse Thaçi aos juÃzes em fevereiro, no final do seu julgamento, que durou quase três anos.
Segundo os procuradores, os homens tinham como alvo opositores polÃticos e civis vistos como colaboradores e traidores durante o perÃodo em que integraram o ELK.
A equipa do tribunal apoiado pela União Europeia é constituÃda maioritariamente por profissionais internacionais, devido a preocupações com a segurança e a proteção das testemunhas. Em 2022, o tribunal condenou dois lÃderes de uma associação de veteranos de guerra do Kosovo por intimidarem testemunhas ao divulgarem documentos confidenciais.
Thaçi também enfrentará um julgamento separado por acusações de intimidação de testemunhas, com inÃcio previsto para o final deste mês.
A maioria das 13.000 pessoas que morreram na guerra do Kosovo era de origem albanesa. Uma campanha de 78 dias de ataques aéreos da NATO contra as forças sérvias pôs fim aos combates. Cerca de um milhão de kosovares de origem albanesa foram expulsos das suas casas.
Em 2008, o Kosovo declarou a sua independência da Sérvia, um passo que Belgrado se recusa a reconhecer. As relações entre o Kosovo e a Sérvia continuam tensas, apesar de anos de negociações mediadas pela União Europeia e apoiadas pelos Estados Unidos.
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