Ex-ministro acusado da morte de candidato à presidência extraditado para Equador

Quito, 29 ago 2026 (Lusa) – O Presidente do Equador, Daniel Noboa, anunciou a extradição do ex-ministro José Serrano, investigado pelo assassínio do candidato presidencial Fernando Villavicencio em 2023, dos Estados Unidos, onde estava detido pelas autoridades de imigração.

Noboa afirmou na sexta-feira que Serrano é o “novo detido” da chamada “Prisão do Encontro”, a principal prisão da política de segurança do presidente, construída para isolar os líderes das grandes organizações criminosas, à semelhança das prisões construídas por Nayib Bukele em El Salvador.

Também está atualmente na mesma prisão, Jorge Glas, ex-vice-presidente do Governo de Rafael Correa (2013-2017), do qual José Serrano também fez parte.

“Dissemos e fizemos. José Serrano, ministro do Interior durante o governo de Correa, é o mais novo hóspede do Encontro”, publicou Noboa na rede social X.

A mensagem publicada pelo Presidente inclui fotografias de Serrano num avião, escoltado por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos.

“A sua vez está a chegar”, acrescentou o presidente na mensagem, na qual mencionou o socialista Correa, exilado na Bélgica.

Pouco depois, a família de José Serrano alegou que a extradição dos Estados Unidos para o Equador tinha violado os direitos fundamentais do ex-ministro.

“O nosso pai, José Serrano, foi retirado do centro de detenção de imigrantes de Krome [na Florida (sudeste)] e está desaparecido e incomunicável. Mais uma vez, a sua família e os seus advogados não foram contactados, violando os seus direitos”, afirmou a filha, Verónica Serrano.

Verónica Serrano declarou que “a deportação para o Equador implicaria uma violação dos seus direitos humanos e um risco iminente de tortura e assassínio”.

“Estamos a alertar a comunidade internacional e a pedir o seu apoio”, afirmou, numa mensagem enviada à agência de notícias EFE.

Em maio, a filha do ex-ministro tinha indicado que uma decisão de um tribunal de imigração em Miami, na Florida, “proibia expressamente a sua deportação para o Equador”.

José Serrano foi um dos sete acusados formalmente pelo Ministério Público do Equador, em 08 de agosto, de envolvimento na morte de Villavicencio.

Villavicencio, crítico de Rafael Correa, foi abatido a tiro a 09 de agosto de 2023 por um assassino contratado colombiano em Quito, uma semana antes das eleições presenciais. O atirador foi morto por seguranças.

Entre os acusados figuram o empresário Xavier Jordán, o ex-deputado Ronny Aleaga, bem como o principal líder do grupo criminoso ‘Los Lobos’, Wilmer Chavarría, conhecido como ‘Pipo’.

Serrano é suspeito de ter fornecido informações “sensíveis” ao grupo ‘Los Lobos’ relativamente às deslocações de Villavicencio.

Cinco pessoas ligadas ao homicídio foram condenadas em 2024 a penas de até 34 anos de prisão, enquanto seis homens de nacionalidade colombiana, alegadamente associados a este caso, foram assassinados na prisão.

Antes de se lançar na política, Fernando Villavicencio era jornalista e investigava casos de corrupção que envolviam o Governo de Rafael Correa. As suas investigações anticorrupção também tinham implicado Xavier Jordán.

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