
Lima, 18 fev 2026 (Lusa) — O ex-lÃder da BolÃvia Evo Morales disse que a destituição de José JerÃ, Presidente interino do vizinho Peru, através de uma moção de censura aprovada pelo parlamento, se deve à influência dos Estados Unidos.
“Qualquer paÃs governado pelo império norte-americano carece de estabilidade polÃtica e económica. O Peru é um excelente exemplo. O presidente Jerà durou apenas quatro meses. Em cinco anos, os peruanos tiveram quatro presidentes e, em dez anos, oito chefes de Estado”, declarou Morales, nas redes sociais.
“A única forma de evitar a instabilidade económica e polÃtica é ter autoridades dignas que (…) defendam a nossa soberania e não sejam subservientes do império dos Estados Unidos”, acrescentou.
Morales alegou que, “quando os gringos governam” na América Latina, “o povo é sempre punido”, dando como exemplo “privatizações, destruição de direitos, aumento de impostos para os trabalhadores, mas redução de impostos para os ricos, submissão a instituições financeiras estrangeiras e entrega dos (…) recursos naturais a empresas transnacionais”.
Morales, o primeiro chefe de Estado da BolÃvia de origem indÃgena, governou o paÃs entre 2006 e 2019, tendo-se demitido após os violentos protestos de 2019, que resultaram em 37 mortes.
Os protestos deveram-se a uma crise após eleições presidenciais em que Morales conquistou mais um mandato, mas cujos resultados foram considerados fraudulentos, nomeadamente pela Organização dos Estados Americanos.
O Congresso, o parlamento do Peru, aprovou na terça-feira a destituição de José Jeri, um polÃtico de direita que enfrenta duas investigações sobre presumÃvel tráfego de influência, a menos de dois meses das eleições gerais.
Esta é a oitava mudança presidencial na nação andina em quase uma década de instabilidade polÃtica desde as eleições de 2016.
A exoneração de Jeri foi aprovada com 75 votos a favor, 24 contra e três abstenções e a assembleia elegerá hoje um novo presidente do parlamento, que assumirá automaticamente a presidência interina do Peru até 28 de julho, quando tomará posse o chefe de Estado eleito em abril, disse Fernando Rospigliosi, presidente interino da câmara legislativa.
Jeri, 39 anos, presidiu ao parlamento até outubro, altura em que sucedeu a Dina Boluarte, que também foi destituÃda na sequência de um processo desencadeado depois de se ter confessado incapaz de dar resposta a uma onda de violência sem precedentes no paÃs ligada ao crime organizado.
Durante o seu mandato, Jeri enfrentou vários pedidos de destituição da minoria de esquerda e de um bloco de partidos de direita, por “má conduta” e incompetência para o exercÃcio das funções, após duas investigações preliminares abertas em janeiro pelo Ministério Público.
As investigações dizem respeito ao alegado envolvimento no recrutamento de nove mulheres para o Governo e a presumÃveis crimes de “tráfico de influências” e “patrocÃnio ilegal de interesses”, devido a encontros semiclandestinos com empresários chineses que tinham contratos com o Estado.
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