
Maputo, 17 fev 2026 (Lusa) – Ex-guerrilheiros da moçambicana Renamo, contestatários da liderança do partido, iniciaram hoje a recolha de pelo menos 10 mil assinaturas a submeter ao conselho nacional para pedir a renúncia do presidente Ossufo Momade.
“O ambiente que hoje se vive na Renamo não se pode perpetuar por mais tempo, daí que urge a necessidade de todos os membros de boa-fé possam juntar-se a nós, subscrevendo o pedido de renúncia de Ossufo Momade do cargo de presidente do partido com o seu conselho de jurisdição que, de todas as formas, tenta ameaçar os membros do partido quando estes reclamam reformas”, disse o porta-voz dos ex-guerrilheiros, João Machava, em conferência de imprensa na Matola, arredores de Maputo.
Há meses que ex-guerrilheiros da Renamo pedem a demissão de Ossufo Momade, acusando-o de “má gestão”, falta de pagamento de pensões e subsídios e de “incompetência total” face à crise no partido, que perdeu o estatuto de líder da oposição após as eleições gerais de 2024. Recentemente realizaram na província de Maputo, sul do país, um encontro de dois dias para debater a convocatória de um congresso extraordinário e a apresentação da Comissão de Gestão criada por estes contestatários, que têm vindo a encerrar delegações da Renamo em todo o país.
As assinaturas vão ser recolhidas desde os bairros às capitais provinciais até finais deste mês, com Machava a indicar que, além do conselho nacional, o documento será enviado aos órgãos do Governo, de Justiça e às embaixadas, com o pedido de renúncia dos órgãos atuais.
Machava acrescenta que a recolha de assinaturas vai materializar a realização do congresso extraordinário para revitalizar as estruturas da Renamo, que o grupo considera “desfalecidas e moribundas”: “O partido está morto, está parado, não está a funcionar, então somos obrigados a fazer de tudo para destituir Ossufo Momade”.
Nas mesmas declarações, o porta-voz do grupo disse que a recente suspensão do ex-deputado e histórico do partido António Muchanga, por também contestar a liderança de Momade, não tem fundamentação nos estatutos.
“Primeiro não reuniram, só anunciaram. Soubemos que o presidente estava em Nampula e um dos vogais em Maputo, por isso aquela reunião não tem ata, não tem deliberação, não tem efeito”, disse Machava.
“Não houve contraditório, porque o próprio Muchanga não foi notificado pelo conselho jurisdicional. Primeiro não lhe chamaram atenção, porque na base dos estatutos, primeiro devem-lhe chamar atenção, depois uma repreensão pública, tudo isso não fizeram, por isso para nós aquela suspensão é ilegal”, concluiu o porta-voz.
Em 09 de janeiro, ex-guerrilheiros da Renamo contestatários da liderança do partido deram seis meses a Ossufo Momade para abandonar a presidência, ameaçando “agir doutra maneira” caso não se demita, defendendo ser o único caminho para evitar uma próxima derrota eleitoral.
Este grupo tem ocupado, constantemente, as delegações provinciais, tendo agora criado e instalado comissões de gestão até à realização de novo Conselho Nacional, que já foi agendado pela formação partidária para março deste ano.
Em dezembro, o mesmo grupo exigiu a convocação de um congresso extraordinário para a retirada de Momade da liderança, após o partido anunciar um conselho nacional para março.
Momade foi reeleito para o cargo em maio de 2024, num processo fortemente contestado internamente, sendo que já prometeu que não volta a candidatar-se à liderança da formação partidária.
Ossufo Momade, 64 anos, sucedeu em 2018 a Afonso Dhlakama, que morreu nesse ano, na presidência do partido.
Foi candidato presidencial nas eleições gerais de 09 de outubro de 2024, obtendo 6% dos votos, o pior resultado de um candidato apoiado pelo Renamo, que foi a principal força de oposição no país desde as primeiras eleições, em 1994.
A Renamo realizou um Conselho Nacional em 16 e 17 de outubro, com os ex-guerrilheiros a considerem que o encontro foi “uma manobra dilatória” para manter Momade na presidência.
PME // PSC
Lusa/Fim
