Ex-guerrilheiros da moçambicana Renamo anunciam convocatória para reunião nacional

Maputo, 06 ago 2025 (Lusa) – Ex-guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) anunciaram hoje que pretendem convocar uma reunião nacional de todos os membros, contestando a liderança de Ossufo Momade e avisando que o encerramento das delegações vai continuar em todo o país.

“Urge a necessidade de [nos] sentarmos à mesma mesa para repensarmos o partido e, para tal, nós os desmobilizados queremos convocar todos os desmobilizados da Renamo, quadros a todos os níveis e todos os membros influentes para uma reunião na qual deveremos discutir sobre a vida do partido e evitar o colapso que está iminente”, disse João Machava, porta-voz do grupo de antigos guerrilheiros desmobilizados da Renamo, em conferência de imprensa, na Matola, arredores de Maputo.

A reunião nacional do partido, com data e local ainda por indicar, visa “refletir sobre o estágio atual do partido”, conforme explicou o representante dos antigos guerrilheiros, acusando a liderança da formação de silêncio perante a crise da Renamo.

O porta-voz indicou que vão ainda ser emitidas convocatórias individuais, que abrange também o líder do partido, “porque ele é desmobilizado da Renamo, é membro do partido”. João Machava avisou também prossegue o encerramento de delegações e sedes.

A Renamo perdeu o estatuto da segunda força política mais votada nas eleições gerais de 09 de outubro de 2024, passando de 60 deputados, nas legislativas de 2019, para 28. Desde então, cresceu uma onda de contestação ao atual líder do partido, com ex-guerrilheiros a encerrar sedes e delegações do partido, com exigências de realização de um Conselho Nacional do partido.

O partido chegou a anunciar a realização do primeiro Conselho Nacional de 2025 – estatutariamente tem de organizar dois por ano – em 07 e 08 de março, que foi depois adiado, sem nova data. A direção da Renamo já reconheceu a obrigatoriedade de realizar dois conselhos nacionais por ano, mas afirma que não é obrigatório que aconteçam em semestres diferentes.

Momade, cuja demissão tem sido pedida, é também acusado de alegada “má gestão”, falta de pagamento de pensões e subsídios e falta do fundo de funcionamento da formação política e de “incomepetência total” face à crise na Renamo.

Alvo das críticas dos antigos guerrilheiros, Ossufo Momade assumiu a presidência da Renamo em janeiro de 2019, após a morte de Afonso Dhlakama (1953 –2018), e foi reeleito para o cargo em maio de 2024, num processo fortemente contestado internamente.

Momade foi candidato presidencial nas eleições de outubro de 2024, obtendo 6% dos votos, o pior resultado de um candidato apoiado pelo partido, principal força de oposição em Moçambique desde as primeiras eleições em 1994.

Durante 16 anos, Moçambique viveu uma guerra civil, que opôs o exército governamental e a Renamo, tendo terminado com a assinatura do Acordo Geral de Paz, em Roma, em 1992, entre o então Presidente, Joaquim Chissano, e Afonso Dhlakama, líder histórico da Renamo, abrindo-se, assim, espaço para as primeiras eleições, dois anos depois.

PME (PVJ) // JMC

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