Ex-guerrilheiros da moçambicana Renamo acusam líder de atraso nas reuniões previstas

Maputo, 14 mai 2026 (Lusa) – Ex-guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) manifestaram hoje preocupação com o atraso na convocação das reuniões dos quadros e do Conselho Nacional do partido, alertando para eventuais “manobras dilatórias” do atual presidente, Ossufo Momade, cuja liderança contestam.

“Já passam 45 dias após a reunião de generais e oficiais superiores”, recordou, em conferência de imprensa, em Maputo, João Machava, porta-voz dos desmobilizados da Renamo, referindo-se ao encontro realizado no Chimoio, província de Manica, em 27 de março, que então “recomendou a realização” daquelas reuniões, “nos meses de maio e junho deste ano”.

“Sucede, porém, (…) que nada até agora foi feito”, acusou João Machava.

Os ex-guerrilheiros da Renamo admitem que se acione a cláusula estatutária do partido que permite a substituição do presidente até a realização do congresso: “O partido não pode esperar mais tempo por um presidente ausente, calado, frouxo, conformado e feliz pela atual situação do partido e do país”.

Segundo o representante, os membros do partido temem uma “manobra dilatória” do atual líder, Ossufo Momade – na presidência da Renamo desde 2018, após a morte de Afonso Dhlakama – para adiar as reuniões e prolongar a permanência no cargo.

“Queremos desde já chamar atenção e despertar aos membros, simpatizantes do partido Renamo, em particular, e a população Moçambicana, em geral, das prováveis manobras dilatórias do presidente Momade, que (…) por causa da doença deve ir a Nampula para tratamento tradicional ou Índia para tratamento médico, podendo esses tratamentos levar três a quatro meses, tempo que o partido já não tem de esperar, pois o primeiro semestre do ano está a terminar”, explicou.

Machava disse ainda que a falta de ação do atual líder, que viu o partido perder a liderança da oposição parlamentar nas eleições de 2024, é evidenciada pela violação sistemática, por Ossufo Momade, dos estatutos da Renamo.

“Apelamos aos vários órgãos do partido para que cada um dentro da sua esfera de atuação impulsione passos concretos para realização do Conselho Nacional que por sua vez, deve convocar o congresso extraordinário do partido (…) para que até o final do mês de setembro do presente ano [possa se] garantir alternância”, avançou João Machava.

Segundo o porta-voz dos desmobilizados, o grupo continua a respeitar os estatutos da Renamo, mas advertiu que, perante a passagem do tempo sem avanços, poderão adotar outras formas de atuação.

“Daqui a alguns dias nós vamos remeter um processo na procuradoria”, concluiu Machava.

Em 03 de abril, os ex-guerrilheiros, que reivindicam há vários meses a destituição do atual líder, afirmaram que vão continuar a ocupar sedes do partido até à saída de Momade, alegando que a recente reunião de generais não resolveu a crise interna.

O responsável afirmou no dia anterior a ausência de decisões concretas nos encontros internos tem contribuído para aprofundar as divisões dentro do partido e afetar a sua imagem pública.

Em 27 de março, Ossufo Momade, criticou membros que levam o partido aos tribunais e vão às televisões para “assassinar o caráter dos outros”, defendendo que isso fortifica os adversários políticos.

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