
Redação, 09 ago 2023 (Lusa) — O ex-diretor da PolÃcia Rodoviária Federal (PRF) brasileira Silvinei Vasques foi preso hoje, numa investigação sobre uma alegada tentativa de interferência no resultado das eleições presidenciais realizadas no paÃs em outubro de 2022, anunciaram as autoridades.
Vasques, um apoiador declarado de Jair Bolsonaro, é suspeito de ter ordenado bloqueios em estradas para tentar atrapalhar a deslocação de eleitores do atual Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, na segunda volta das presidenciais.
Em 30 de outubro do ano passado, dia da votação que definiu a mudança de Governo, a PRF brasileira realizou operações que interferiram na movimentação de eleitores, sobretudo no nordeste, onde Lula da Silva tinha vantagem sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro nas sondagens de intenção de voto.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou a pedir explicações à PRF após receber denúncias de operações nas estradas que teriam dificultado a circulação de eleitores.
O juiz e presidente do TSE, Alexandre de Moraes, convocou Vasques no dia da eleição para explicar o motivo dessas operações, apesar de a autoridade eleitoral já ter proibido qualquer ação policial que pudesse dificultar o transporte de eleitores.
Além de explicar as barreiras nas estradas que estavam proibidas, o ex-chefe da polÃcia rodoviária brasileira foi criticado por ter publicado nas redes sociais uma imagem em que pediu o voto em Bolsonaro.
Vasques publicou uma foto da bandeira do Brasil com as frases “vote 22. Bolsonaro presidente”.
Num comunicado divulgado hoje, a PolÃcia Federal brasileira indicou que, de acordo com as investigações, membros da PolÃcia Rodoviária Federal teriam direcionado recursos humanos e materiais com o intuito de dificultar o trânsito de eleitores no dia da segunda volta das presidenciais.
“Os crimes apurados teriam sido planeados desde o inÃcio de outubro daquele ano, sendo que, no dia da segunda volta, foi realizado patrulhamento ostensivo e direcionado à região nordeste do paÃs”, diz o texto.
Além da prisão de Vasques, em Florianópolis, a autoridade policial cumpre hoje dez mandados de busca e apreensão contra outros investigados nos estados do Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Santa Catarina e Rio Grande do Norte.
Por fim, a PolÃcia Federal brasileira destacou que os factos investigados “configuram, em tese, os crimes de prevaricação e violência polÃtica, previstos no Código Penal Brasileiro, e os crimes de impedir ou embaraçar o exercÃcio do sufrágio e ocultar, sonegar, açambarcar ou recusar no dia da eleição o fornecimento, normalmente a todos, de utilidades, alimentação e meios de transporte, ou conceder exclusividade dos mesmos a determinado partido ou candidato, do Código Eleitoral Brasileiro”.
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