
Washington, 13 dez 2024 (Lusa) – Um dirigente sÃrio, chefe de uma prisão na capital da SÃria, Damasco, entre 2005 e 2008, e que está nos Estados Unidos há quatro anos, foi acusado de tortura, anunciou a justiça federal norte-americana.
Samir Ousman Alsheikh, que chefiou a penitenciária de Adra antes da guerra civil na SÃria, foi acusado na quinta-feira de ter infligido “graves dores fÃsicas e mentais” aos detidos, ou de ter dado a ordem, de acordo com um comunicado.
O homem de 72 anos é também acusado de enviar reclusos para uma ala especÃfica da prisão, onde eram pendurados no teto e espancados ao mesmo tempo, ou de os submeter à “cadeira alemã”, que consiste em esquartejar as extremidades do prisioneiro.
Samir Ousman Alsheikh foi também nomeado governador da provÃncia de Deir Ezzor em 2011.
Chegado aos Estados Unidos em 2020, solicitou a cidadania norte-americana em 2023. Foi detido e acusado em julho passado, em Los Angeles, por mentir às autoridades sobre o seu passado.
O antigo dirigente “é acusado de torturar dissidentes polÃticos e outros prisioneiros, de forma a dissuadir a oposição ao regime do então presidente Bashar al-Assad”, disse no comunicado Nicole Argentieri, dirigente do Departamento de Justiça.
“As vÃtimas deste tratamento violento continuam a sofrer muito depois de os atos de tortura fÃsica terem cessado”, acrescentou Argentieri.
“É um grande passo em direção à justiça”, disse Mouaz Moustafa, diretor executivo da uma organização não governamental dedicada à SÃria, com sede nos EUA.
“O julgamento de Samir Ousman Alsheikh irá reiterar que os Estados Unidos não permitirão que criminosos de guerra venham viver para os Estados Unidos sem serem responsabilizados, mesmo que as suas vÃtimas não sejam cidadãos norte-americanos”, acrescentou Moustafa.
Caso seja considerado culpado, Samir pode enfrentar décadas atrás das grades.
“O nosso cliente nega veementemente estas acusações falsas e com motivações polÃticas”, disse a advogada de Samir, Nina Marino, num comunicado.
Os rebeldes declararam na segunda-feira Damasco livre de Bashar al-Assad, após 12 dias de ofensiva de uma coligação liderada pelo grupo islâmico Organização de Libertação do Levante (Hayat Tahrir al Sham ou HTS, em árabe).
O Presidente sÃrio, que esteve no poder 24 anos, deixou o paÃs perante a ofensiva rebelde e exilou-se na Rússia.
No poder há mais de meio século na SÃria, o partido Baath foi, para muitos sÃrios, um sÃmbolo de repressão, iniciada em 1970 com a chegada ao poder, através de um golpe de Estado, de Hafez al-Assad, pai de Bashar, que liderou o paÃs até morrer, em 2000.
Desde o derrube do governo, as portas de muitas prisões sÃrias foram abertas pelos rebeldes.
Imagens de prisioneiros abatidos e emagrecidos, alguns carregados por camaradas porque estavam demasiado fracos para escapar das suas celas, correram mundo.
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