
Quito, 23 out 2026 (Lusa) — Luisa González, ex-candidata presidencial da principal força de oposição ao atual chefe do Estado do Equador, Daniel Noboa, foi detida por alegado branqueamento de capitais, a pouco mais de cinco semanas das eleições locais.
A detenção de González, que foi derrotada por Noboa na segunda volta das eleições presidenciais de 2023, ocorreu na madrugada de quinta-feira na sua residência em Canuto, uma localidade rural na província costeira de Manabí (oeste), onde a política cresceu.
González foi detida pela polícia no âmbito do chamado caso “Labirinto”, no qual é acusada de alegado envolvimento no crime de lavagem de dinheiro, relacionado com a gestão e os gastos de recursos da campanha eleitoral de 2023.
Este processo soma-se ao caso “Caja Chica”, no qual González já estava a ser investigada por alegada participação numa organização criminosa dedicada ao branqueamento de capitais.
O caso envolve o alegado financiamento irregular da sua campanha com dinheiro em numerário trazido da Venezuela, uma operação que, segundo declarou o ex-deputado Santiago Díaz, terá ocorrido sob ordens do ex-Presidente Rafael Correa (2007-2017), exilado na Bélgica.
Díaz, que serviu como chefe de campanha de Luisa González, foi expulso do principal partido da oposição, Revolução Cidadã, depois, de ter sido acusado de violar uma menor, crime pelo qual foi condenado, em primeira instância, em maio, a 29 anos e 4 meses de prisão.
Segundo a imprensa local, o Ministério Público (MP) procura apurar se a campanha presidencial de 2023 de González foi financiada com recursos de uma empresa pertencente ao presidente da Câmara de Guayaquil, Aquiles Alvarez.
Alvarez acumula, atualmente, duas condenações. Uma delas refere-se à comercialização ilegal de combustíveis através de uma rede de postos de abastecimento de combustível que mantém com a sua família.
Luisa González encontra-se sob custódia policial, aguardando uma audiência judicial para a formalização das acusações pelo MP. Nesta audiência, um juiz decidirá se ela responderá ao processo em liberdade ou se serão impostas medidas mais restritivas.
A detenção de González acontece a pouco mais de cinco semanas das eleições locais, das quais o partido Revolução Cidadã foi afastado.
Os dirigentes do partido acusam o Governo de estar por detrás de vários processos abertos pelo MP contra os seus dirigentes.
Numa mensagem publicada na rede social X, Luisa González disse que o Equador “chegou a uma situação insustentável” e denunciou que “o ataque às liberdades e a perseguição política são uma realidade permanente na ditadura de Noboa”.
“Responderei com a dignidade dos equatorianos e das equatorianas que nada devem e que estão empenhados em conquistar a liberdade do Equador e um futuro melhor para o país”, declarou González, classificando a acusação de absurda e apelando à unidade.
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