Evolução da economia de Moçambique depende de estabilidade e do FMI – consultora

Londres, 29 jan 2026 (Lusa) – A consultora britânica BMI considerou hoje que a perspetiva de evolução da situação financeira de Moçambique depende da estabilidade política e dos contornos do programa de assistência financeira em negociação com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

“Em Moçambique, prevemos um crescimento modesto em 2026, com o Governo a continuar a consolidação orçamental; a dívida pública mantém-se alta, à volta de 86% do PIB, e vemos uma melhoria na situação orçamental, mas a perspetiva de evolução financeira é vulnerável à instabilidade política e aos contornos do programa do FMI”, disse o analista Mike Kruiniger.

Em resposta à Lusa durante um seminário ‘online’ sobre as economias da África subsaariana, o analista vincou que “a receita está a recuperar com a estabilidade e a economia está a normalizar-se, mas os dados macroeconómicos continuam abaixo das metas do Governo”.

Moçambique, acrescentou, mantém um “elevado rácio da dívida pública face ao PIB, nos 86%, com juros altos e um espaço orçamental limitado”.

A BMI prevê que a economia moçambicana cresça 2,3% este ano – face aos 2,8% previstos pelo Governo -, depois de se ter contraído cerca de 0,2% no ano passado, à custa da instabilidade que se seguiu às eleições presidenciais do final de 2024, que mergulharam o país numa onda de violência que fez centenas de mortos.

No mais recente relatório sobre Moçambique, consultado hoje pela Lusa, a BMI diz que, “apesar de haver uma probabilidade cada vez maior de revisões económicas em baixa se a situação das inundações se intensificar durante fevereiro e março, a perspetiva é que as cheias só parcialmente vão anular a recuperação da procura interna”.

O número de mortos nas cheias das últimas semanas em Moçambique subiu hoje para 22, com 700 mil afetados, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

Os investimentos no gás natural, aliás, serão o principal motor da recuperação moçambicana, diz a BMI na mesma altura em que foi anunciado o recomeço dos trabalhos da TotalEnergies em Cabo Delgado, no megaprojeto de exploração gasista que pode transformar a economia deste país lusófono africano.

No seminário de hoje, a BMI antevê que as economias da África subsaariana registem um crescimento médio de 4,3% este ano, o valor mais elevado dos últimos dez anos, alicerçado num crescimento da procura interna, inflação mais baixa, estabilização cambial, descida das taxas de juro e consequente acesso ao crédito por parte das empresas e famílias.

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