Evento solidário em apoio à Casa da Madeira em Toronto

O salão da LiUNA Local 183 esteve lotado no sábado, 21 de fevereiro, para uma iniciativa de solidariedade em apoio à Casa da Madeira. A ação foi promovida pela Aliança dos Clubes e Associações Portuguesas de Ontário, ACAPO, e contou com a participação de dezenas de clubes, artistas comunitários e representantes de vários níveis de governo. No final da noite, foi apresentado um cheque no valor de 60 mil dólares, resultante da venda de bilhetes, patrocínios e donativos. A organização indicou que estavam ainda previstas mais verbas.

A mobilização surgiu na sequência de um incidente ocorrido em outubro, que afetou a sede da instituição, localizada na Dupont Street. A Casa da Madeira é membro fundador da Aliança desde 1987 e integra uma estrutura com 63 anos de atividade associativa.

Joe Eustáquio, presidente da ACAPO, explicou que a resposta foi articulada entre os clubes afiliados. “A realidade é esta: há uma situação infeliz que aconteceu em outubro. A Casa da Madeira é membro fundador da Aliança desde 1987. Em novembro houve uma moção iniciada por mim, como presidente da Aliança, para os clubes organizarem um evento de solidariedade”, afirmou. O dirigente sublinhou que o objetivo passou por “chamar a atenção para a realidade que a Casa da Madeira está a passar”, garantindo que está prevista a sua reabertura.

O evento começou com Jonathan Garcia a interpretar os hinos de Portugal, da Madeira e do Canadá. O ensaiador do rancho da Casa da Madeira destacou a adesão do público. “Fico muito feliz ao ver a nossa comunidade toda aqui presente”, disse.

Entre os presentes estiveram representantes de vários clubes portugueses. José Rodrigues, presidente da Mesa da Assembleia Geral da Casa da Madeira, considerou que a adesão demonstrou união. “Hoje o que nós vimos aqui foi o ativar de um compromisso comunitário, uma ação solidária comunitária. É também um gesto que nos une e que fortalece a nossa comunidade”, declarou.

A iniciativa contou também com a presença de responsáveis políticos. Marit Stiles, líder do NDP de Ontário, destacou o envolvimento cívico. “Todos arregaçaram as mangas e envolveram-se para apoiar a Casa da Madeira. A comunidade portuguesa em Toronto e Ontário aparece sempre para apoiar os seus e é por essa razão que tenho tanto orgulho em apoiar a comunidade portuguesa”, afirmou.

A cônsul-geral de Portugal em Toronto, Ana Luísa Riquito, referiu o impacto do incidente e a resposta coletiva. “Estivemos esta noite aqui todos reunidos depois de circunstâncias absolutamente trágicas que marcaram a comunidade. Mas se as paredes podem cair, o espírito não cai. A Casa da Madeira vai reerguer-se”, sublinhou. A diplomata considerou que a presença do público foi “um sinal de que a Casa vai voltar a ser um sítio de memória partilhada, de comunidade e de generosidade”.

O programa incluiu atuações do Rancho Folclórico da Casa da Madeira, do Rancho Folclórico do Arsenal do Minho, do Rancho ‘As Tricanas’ e do Rancho da Associação Migrante de Barcelos. Susy Vieira, presidente do Conselho Fiscal da instituição madeirense, apontou para a continuidade das tradições. “Foi uma sensação de alegria ver a comunidade juntar-se para nos apoiar e dar a força que precisamos para as nossas tradições madeirenses continuarem aqui no Canadá”, afirmou.

A componente musical integrou ainda Isabel Sinde e Carmen Moscatel. Isabel Sinde referiu que “a solidariedade nesta comunidade portuguesa sempre foi sólida” e defendeu que “a música é uma ligação entre todos”. Já Carmen Moscatel considerou que se sentiu honrada por poder contribuir no evento solidário. “Senti uma grande honra e um grande orgulho por poder dar o meu contributo à nossa Casa da Madeira. Foi um ato criminoso, mas estamos todos aqui para apoiar. É a nossa casa”.

Durante a noite, Décio Gonçalves, diretor de festas da Casa da Madeira, prestou tributo ao trabalho desenvolvido ao longo dos anos. “Foi muito trabalho e um grande sacrifício, mas esperamos que, no final, possamos sorrir e voltar a realizar todos os concertos na nossa Casa da Madeira.”, declarou.

A direção informou que o montante anunciado constituiu uma primeira etapa do apoio financeiro. A reabertura da sede mantém-se como objetivo, mas sem previsão de data.