
Washington, 29 mai 2025 (Lusa) – O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou hoje que os Estados Unidos vão começar a revogar “agressivamente” os vistos de estudantes chineses, incluindo os que têm ligações ao Partido Comunista Chinês ou estudam em áreas crÃticas. Â
Num curto comunicado, o Departamento de Estado afirma que “sob a liderança do Presidente” Donald Trump, “trabalhará com o Departamento de Segurança Interna para revogar agressivamente os vistos de estudantes chineses, incluindo aqueles com ligações ao Partido Comunista Chinês ou que estudam em áreas crÃticas. Â
“Também analisaremos os critérios de visto para melhorar o escrutÃnio de todos os futuros pedidos de visto da República Popular da China e de Hong Kong”, adianta o Departamento liderado por Rubio.
A Universidade de Harvard contestou judicialmente na semana passada a decisão do executivo Trump de a proibir de matricular estudantes estrangeiros, considerando-a uma vingança polÃtica. Â
Numa ação judicial interposta num tribunal federal de Boston, a universidade alega que a medida viola a Primeira Emenda da Constituição e terá um “efeito imediato e devastador para Harvard e para mais de 7.000 titulares de vistos”.
“Com uma simples assinatura, o Governo tenta eliminar um quarto do corpo estudantil de Harvard – estudantes internacionais que contribuem significativamente para a universidade e para a sua missão”, escreveu a instituição no processo.
Harvard informou que planeia apresentar uma providência cautelar para impedir o Departamento de Segurança Interna de aplicar as novas regras, que impedem a inscrição de estudantes estrangeiros naquela universidade e obriga os atuais alunos estrangeiros a pedir a transferência.  Â
A administração republicana liderada por Trump justificou a decisão acusando Harvard de criar um ambiente inseguro no ‘campus’ ao permitir que “agitadores antiamericanos e pró-terroristas” ataquem estudantes judeus, e também de se coordenar com o Partido Comunista Chinês, alegando que a universidade acolheu e treinou membros de um grupo paramilitar chinês.
Na terça-feira, Rubio ordenou à s embaixadas dos Estados Unidos que suspendam entrevistas para emissão de vistos a estudantes estrangeiros, até expansão da “verificação de antecedentes” e análise das redes sociais dos candidatos. Â
“Com efeito imediato, em preparação para a expansão da análise das redes sociais e da verificação de antecedentes, as secções consulares não devem adicionar mais marcações para vistos de estudante ou de intercâmbio estudantil até que sejam emitidas novas diretrizes”, afirma o secretário de Estado Marco Rubio numa diretiva citada pela agência Bloomberg. Â
De acordo com o site noticioso Politico, a ordem poderá atrasar significativamente o processamento dos vistos de estudante, prejudicando muitas universidades que dependem das receitas de matrÃculas e propinas de estudantes estrangeiros. Â
Em meados de abril, e no âmbito de uma ação repressiva contra os protestos pró-palestinianos nos campus universitários norte-americanos, o The New York Times noticiou que o executivo de Donald Trump tinha ordenado aos funcionários que analisassem as contas das redes sociais de alguns requerentes de vistos. Â
A administração tinha anteriormente imposto alguns requisitos de rastreio das redes sociais, mas estes destinavam-se em grande parte a estudantes que regressavam ao paÃs e que podiam ter participado em protestos contra as ações de Israel em Gaza. Â
Sob acusação de apoio ao movimento palestiniano Hamas, considerado terrorista por Washington, ou de antissemitismo, vários estudantes foram detidos e submetidos a processos de deportação ou impedidos de regressar ao paÃs, depois de serem cancelados os seus vistos.   Â
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Lusa/Fim
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