EUA reveem em alta crescimento do PIB do 1.º trimestre para 2,1%

Washington, 25 jun 2026 (Lusa) – A economia dos Estados Unidos registou um crescimento sólido e inesperado de 2,1% no primeiro trimestre, em termos homólogos, segundo a estimativa final divulgada hoje pelo Departamento do Comércio.

O crescimento do Produto Interno Bruto — a produção nacional de bens e serviços — dos EUA recuperou assim face aos modestos 0,5% registados nos últimos três meses de 2025, quando uma paralisação de 43 dias do governo federal pesou sobre a economia.

Os números hoje divulgados representam uma revisão em alta em relação à estimativa anterior do Departamento do Comércio para o primeiro trimestre, que apontava para um crescimento de 1,6%.

O investimento empresarial registou um aumento acentuado, refletindo provavelmente um ‘boom’ de investimento em inteligência artificial (IA).

No entanto, as despesas de consumo — que representam cerca de 70% da atividade económica dos EUA — caíram acentuadamente em relação ao quarto trimestre de 2025 e à estimativa anterior do Departamento do Comércio, num sinal de que os consumidores poderão estar a reduzir as despesas face ao aumento dos preços da gasolina causado pela guerra com o Irão.

“Foi inquietante ver os gastos dos consumidores revistos para um valor ainda mais baixo”, afirmou Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union, citado pela Associated Press (AP).

Segundo o analista, “é provável que os gastos aumentem ligeiramente no [segundo trimestre], mas a situação deve ser acompanhada com atenção”.

“Têm sido uns meses difíceis para os consumidores americanos, mas a maioria tem conseguido superar a situação. A questão é saber quanto alívio está a caminho”, à medida que os EUA e o Irão continuam as negociações com vista a uma resolução do conflito, acrescentou.

Excluindo o setor imobiliário, o investimento privado registou um aumento de 10,6%, face aos 2,4% do quarto trimestre de 2025.

Num sinal do ‘boom’ da IA, o investimento em equipamento de processamento de informação disparou a um ritmo de 39,9%, à medida que as empresas se apressavam a equipar os seus centros de dados.

Contudo, o responsável pela economia dos EUA na RBC Capital Markets, Michael Reid, afirmou à AP, antes da publicação do relatório de hoje, que, “infelizmente, não se trata de um caminho sustentável”, prevendo que o investimento em centros de dados perca dinamismo no futuro.

Já o investimento residencial, penalizado pelas taxas de juro elevadas, registou uma queda de 7,8% entre janeiro e março, a maior queda desde o final de 2022 e o quinto declínio trimestral consecutivo.

As despesas e o investimento do governo federal aumentaram a um ritmo de 9,4% no primeiro trimestre, após uma queda de 16,6% no período de outubro a dezembro de 2025, em grande parte devido ao encerramento do governo.

As importações, que são deduzidas do PIB, cresceram a um ritmo mais lento do que o anteriormente estimado entre janeiro e março, o que constituiu uma das razões para a revisão em alta.

Com a economia dos EUA a continuar, assim, a avançar, apesar do choque energético do Irão, o mercado de trabalho americano revelou-se especialmente resiliente.

Os empregadores criaram, em média, 188.000 postos de trabalho por mês, entre março e maio, depois de terem criado menos de 10.000 por mês em 2025, num contexto de incerteza em relação às políticas comerciais e de imigração do Presidente Donald Trump.

O relatório divulgado hoje foi a terceira e última estimativa do Departamento do Comércio sobre o crescimento do PIB no primeiro trimestre. A primeira estimativa do crescimento económico do segundo trimestre está prevista para 30 de julho.

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