
Washington, 15 jan 2026 (Lusa) — Os Estados Unidos anunciaram hoje uma nova ronda de sanções contra autoridades do Irão acusadas de reprimir os protestos que se multiplicam em todo o paÃs contra o regime teocrático.
Entre os visados está o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, acusado pelo Departamento do Tesouro de ter sido uma das primeiras figuras oficiais a incitar ao uso da violência contra os manifestantes.
O Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Tesouro norte-americano designou ainda 18 pessoas e empresas alegadamente envolvidas no branqueamento de capitais resultantes da venda de petróleo iraniano nos mercados estrangeiros.
Segundo Washington, estas entidades integram uma rede de “banca paralela” ligada à s instituições financeiras iranianas sancionadas Bank Melli e Shahr Bank.
O Departamento de Tesouro explicou que o conceito de “banco paralelo” se refere a atividades e estruturas financeiras que operam como bancos, mas fora das regras e da supervisão do sistema bancário tradicional.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que os Estados Unidos “apoiam firmemente o povo iraniano no seu clamor por liberdade e justiça”.
“O Tesouro utilizará todas as ferramentas ao seu dispor para atingir aqueles que estão por detrás da opressão tirânica dos direitos humanos por parte do regime”, acrescentou Bessent.
As sanções implicam o congelamento de quaisquer bens ou interesses financeiros detidos nos Estados Unidos pelas pessoas e entidades visadas e a medida proÃbe também cidadãos e empresas norte-americanas de manterem relações comerciais com os sancionados.
O Departamento do Tesouro reconheceu, contudo, que o impacto prático das sanções é em grande parte simbólico, uma vez que muitas das pessoas e empresas atingidas não possuem ativos no sistema financeiro norte-americano.
Os protestos no Irão começaram a 28 de dezembro, na sequência do colapso do rial, a moeda nacional, fortemente afetada pela crise económica e pelas sanções internacionais ligadas, em parte, ao programa nuclear iraniano.
Desde então, as manifestações transformaram-se num movimento mais amplo de contestação polÃtica e social ao regime, enfrentando uma repressão severa por parte das autoridades.
A organização não-governamental Iran Human Rights (IHRNGO) elevou para 3.428 as mortes registadas nos protestos, alertando que são casos que conseguiu verificar e que o número real deverá ser superior.
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