
Washington, 02 jun 2020 (Lusa) — O candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, acusa o Presidente Donald Trump de estar mais preocupado com a sua reeleição do que com as divisões provocadas pelas manifestações violentas nos EUA.
“Quando manifestantes pacÃficos são afastados por ordem do Presidente, a partir da varanda da casa do povo, a Casa Branca, usando gás lacrimogéneo e granadas de fumo, para organizar uma operação de comunicação em frente a uma igreja, temos o direito de pensar que o Presidente está mais preocupado com o poder do que com princÃpios”, deverá dizer hoje Biden, num discurso em Filadélfia, de acordo com trechos fornecidos aos jornalistas.
Biden considera que Trump “está mais interessado em servir as suas bases de apoio do que as necessidades daqueles de quem deveria cuidar”, referindo-se à postura que o Presidente tem tido perante as manifestações que há uma semana se multiplicam por dezenas de cidades norte-americanas contra a morte de George Flyod, um afro-americano que morreu sob custódia policial, no dia 25, em Minneapolis.
No discurso que hoje fará em Filadélfia, uma cidade fortemente afetada pela violência de algumas das manifestações, Biden dirá que a morte de Floyd foi “um choque elétrico” para os EUA, criticando o aproveitamento polÃtico que Trump tem feito da situação.
“Prometo-vos uma coisa: não manipularei o medo e a divisão. Não provocarei as brasas do ódio. Procurarei curar as feridas raciais que atormentam este paÃs há muito tempo. Não as usarei para vantagens polÃticas”, serão palavras de Biden, no comÃcio marcado para hoje à noite.
O candidato presidencial democrata tem denunciado o “racismo institucional” que existe nos EUA, condenando todas as formas de violência e criticando as mensagens presidenciais que, na sua opinião, têm inflamado ainda mais os espÃritos dos norte-americanos.
George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polÃcia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.
Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem.
Pelo menos quatro mil pessoas foram detidas e o recolher obrigatório foi imposto em várias cidades, incluindo Washington e Nova Iorque, mas diversos comentários do Presidente norte-americano, Donald Trump, contra os manifestantes têm intensificado os protestos.
Os quatro polÃcias envolvidos no incidente foram despedidos, e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi detido, acusado de assassÃnio em terceiro grau e de homicÃdio involuntário.
A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) numa loja.
RJP // FPA
Lusa/Fim



