EUA estão no mesmo ponto “ou um pouco pior” que antes da guerra com o Irão – Obama

Washington, 30 jun 2026 (Lusa) – O antigo presidente norte-americano Barack Obama considerou hoje que o país está no mesmo ponto de antes da guerra com o Irão, “ou até um pouco pior”, defendendo o acordo nuclear alcançado no seu mandato.

Numa entrevista à rede norte-americana NBC, Obama lamentou que Washington continue no mesmo ponto relativamente à questão nuclear do Irão, apesar de os Estados Unidos terem gasto “milhares de milhões de dólares e sujeitado as Forças Armadas a uma enorme pressão”, numa guerra em que “muitas pessoas morreram”.

“Dá a impressão de que regressámos ao ponto em que estávamos antes do início da guerra, embora talvez numa situação ainda ligeiramente pior”, argumentou o antigo líder democrata.

Obama indicou que “a justificação” para a ofensiva militar eram as aspirações nucleares de Teerão, embora tenha destacado que o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) acordado durante o seu mandato (2009-2017) estabelecia que o Irão não desenvolveria armas nucleares.

“Toda a comunidade internacional, incluindo os serviços secretos israelitas e as nossas próprias agências de informações, considerou que este acordo estava a funcionar”, sublinhou.

Neste sentido, recordou que a administração de Donald Trump (republicano), no primeiro mandato (2017-2021), decidiu retirar os EUA do acordo, o que mais tarde levou o Irão a desenvolver uma maior capacidade nuclear.

Desta forma, lamentou que não se saiba qual o plano que Washington está agora a seguir para controlar o programa nuclear iraniano, pelo que evitou comparações com o acordo estabelecido pela sua administração.

“Ainda não sei qual é esse plano. Portanto, até ver, até haver algum documento público que indique exatamente no que consiste o acordo, não tenho forma de o comparar com o plano que desenvolvemos após muitos anos de trabalho”, disse.

Obama tem sublinhado, no entanto, que um cessar-fogo nas hostilidades com o Irão é positivo, porque melhora a situação das populações afetadas pela guerra.

“Estou muito feliz por ver um cessar-fogo e espero que se mantenha. Tendemos a esquecer que, em qualquer guerra, aqueles que suportam o peso do conflito são pessoas comuns, pessoas que simplesmente tentam viver as suas vidas e cuidar das suas famílias”, afirmou.

Também relativamente à reabertura do estreito de Ormuz, sustentou que, com o tempo, “proporcionará algum alívio às pessoas normais face aos elevados preços da gasolina e da energia”.

Obama mostrou-se expectante quanto aos acordos que poderão ser alcançados nos 60 dias de trégua estabelecidos pelo memorando assinado pelos Estados Unidos e pelo Irão a 18 de junho.

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