
Washington, 22 fev 2020 (Lusa) — O candidato à primária democrata Bernie Sanders denunciou na sexta-feira a ingerência russa na campanha para as eleições presidenciais norte-americanas, depois de o Washington Post ter referido um alegado apoio de Moscovo à sua candidatura.
Segundo o tÃtulo, os serviços de informações norte-americanos teriam informado o senador eleito pelo Estado do Vermont, e outros congressistas, de interferências de Moscovo no processo eleitoral, aparentemente em favor de Sanders, mas com o objetivo real de promover a vitória do republicano Donald Trump.
“Francamente, não quero saber quem é que Putin [Presidente da Rússia] quer como presidente. A minha mensagem para ele é clara: mantenha-se afastado das eleições americanas, o que vou garantir quando for presidente”, reagiu Bernie Sanders, em comunicado.
“Em 2016, a Rússia utilizou a propaganda na internet para semear a divisão no nosso paÃs, e compreendo que o queiram fazer outra vez em 2020”, acrescentou.
As revelações sobre uma nova ingerência russa nas eleições norte-americanas, através da manipulação de mensagens nas redes sociais, multiplicam-se desde há dois dias nos EUA.
Na sexta-feira, não estava estabelecido nenhum laço formal entre as supostas tentativas de ingerência russa em favor de Trump e Sanders.
Muitos analistas consideram que uma nomeação de Bernie Sanders como candidato presidencial dos democratas poderia ajudar Trump, porque o seu programa de esquerda seria menos suscetÃvel de agregar os eleitores do que o de outros candidatos.
Os democratas iniciaram no princÃpio do mês o seu processo interno de escolha do candidato presidencial para as eleições de 03 de novembro.
Nas eleições de 2016, os serviços de informações norte-americanos concluÃram que a Federação Russa tinha procurado ingerir-se no processo em prejuÃzo da candidata democrata, Hillary Clinton. Isto veio a ser confirmado pelo inquérito judicial dirigido pelo procurador especial Robert Mueller.
A reunião entre os congressistas e os serviços de informações ocorreu em 13 de fevereiro.
Um dirigente sénior da Casa Branca disse à AP que a notÃcia enfureceu Trump, que se queixou da possibilidade de os democratas usarem a informação contra ele.
Um dia depois da reunião, Trump criticou o diretor das Informações Nacionais, Joseph Maguire, que controla a comunidade dos 17 serviços de informações norte-americanos.
Na quinta-feira substituiu-o formalmente por uma pessoa da sua confiança, Richard Grenell, embaixador na Alemanha, sem experiência na área.
Também este mês, o diretor da polÃcia federal (FBI), Christopher Wray, ouvido na comissão de Justiça da Câmara dos Representantes, afirmou que a Federação Russa estava envolvida em uma “guerra de informação”, com vista à s eleições de novembro, baseada em campanhas cobertas nas redes sociais para dividir o público norte-americano.
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