
Washington, 02 jun 2022 (Lusa) – O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, apresentou hoje o relatório anual sobre liberdade religiosa no mundo, que denuncia perseguições contra minorias religiosas na China, Afeganistão, Birmânia e na Arábia Saudita, um importante aliado de Washington.
“Infelizmente, o relatório mostra que temos muito trabalho a fazer em muitas partes do mundo, onde os Governos não respeitam os direitos dos seus cidadãos. Alguns continuam a usar leis contra blasfémia e apostasia”, lamentou Blinken numa conferência de imprensa sem direito a perguntas.
Em concreto, o lÃder da diplomacia norte-americana denunciou que a China “continua o seu genocÃdio” contra lÃderes muçulmanos e outros grupos religiosos, e deu como exemplo que mais de um milhão de pessoas foram detidas em campos de internamento na provÃncia de Xinjiang.
Blinken assegurou que o Governo chinês “assedia” religiões que estão “fora da doutrina” do Partido Comunista, e denunciou que até locais de culto budistas tibetanos, cristãos islâmicos e taoistas foram destruÃdos.
O secretário de Estado também disse que a liberdade religiosa no Afeganistão “deteriorou-se dramaticamente” desde que os talibãs assumiram o poder no ano passado após a retirada dos EUA, já que o acesso das mulheres à educação e ao trabalho foi limitado.
Blinken também lembrou que em março o Departamento de Estado classificou como genocÃdio os ataques do exército birmanês à comunidade muçulmana rohingya em 2017.
O governante norte-americano referiu-se ainda a um aliado histórico do paÃs, a Arábia Saudita, cujas “recentes tentativas de aumentar o diálogo inter-religioso” aplaudiu, mas lamentando que “na prática, permaneça ilegal qualquer religião que não o islamismo”.
Além disso, considerou que todos os paÃses, incluindo os Estados Unidos e as nações europeias, têm de “fazer mais” para combater “as formas crescentes de ódio” contra judeus e muçulmanos.
Blinken aplaudiu os esforços de alguns paÃses, como Marrocos, onde disse que existem iniciativas para renovar o património judaico; Taiwan, onde se pode denunciar os empregadores que não permitiam um dia de descanso semanal para assistir a um serviço religioso, ou Iraque, onde o Papa Francisco fez uma visita no ano passado.
“Os Estados Unidos continuarão a defender a liberdade religiosa no mundo. Continuaremos a trabalhar em todos os lugares, com Governos, organizações multilaterais e sociedade civil para alcançá-la”, concluiu Blinken.
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