
Nações Unidas, 05 mar 2026 (Lusa) – O secretário de Energia norte-americano, Chris Wright, criticou hoje, nas Nações Unidas, aquilo que considerou “polÃticas agressivas” criadas para enfrentar as alterações climáticas, as quais classificou como “irrealistas e mal planeadas”.
“Precisamos de mais energia, não de menos, e precisamos dela agora. Sem energia acessÃvel, fiável e segura, nada funciona. Energia é vida. A ausência de energia é pobreza, desespero e morte. É assim que fazemos crescer as nossas economias. É assim que inovamos, alimentamos o nosso dia-a-dia e garantimos a segurança das nossas nações”, defendeu Wright.
O secretário norte-americano presidia a uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre “Energia, minerais crÃticos e segurança”, com uma intervenção que acabou por atacar as polÃticas de combate à s alterações climáticas.
“Nos últimos anos, muitos Governos adotaram polÃticas climáticas agressivas. Estas polÃticas, criadas em nome das alterações climáticas, têm sido irrealistas e mal planeadas. As ilusões energéticas implÃcitas nas polÃticas climáticas representam ameaças reais e crescentes para as nações e povos de todo o mundo”, defendeu.
As declarações do secretário de Energia estão em linha com a posição do Presidente norte-americano, Donald Trump, que desde que regressou à Casa Branca, em janeiro de 2025, esforçou-se por reverter as polÃticas climáticas decretadas pelo seu antecessor, Joe Biden.
O passo mais recente nesse recuo foi dado no mês passado, quando Trump anunciou que rejeita a descoberta cientÃfica de que as mudanças climáticas colocam em risco a saúde humana e o meio ambiente, pondo fim à autoridade legal do Governo federal para controlar a poluição que está a aquecer o planeta de forma perigosa.
Em várias ocasiões, Trump referiu-se à s mudanças climáticas como uma “farsa”.
Na reunião de hoje na ONU, e falando em nome dos Estados Unidos, Wright afirmou que “a segurança energética é segurança nacional” e alertou contra a excessiva dependência de um único fornecedor para recursos crÃticos.
Lembrando a crise energética europeia resultante da dependência do petróleo e do gás russos, realçou que “a energia é demasiado importante, demasiado essencial para a vida, para que erremos na sua gestão”.
O representante da administração Trump acrescentou que é do interesse da segurança dos Estados Unidos e dos seus aliados não depender de nenhum paÃs para minerais crÃticos, destacando os esforços para manter as rotas comerciais globais abertas e reforçar a cooperação económica e de segurança.
De acordo com Chris Wright, os Estados Unidos e aliados “estão a trabalhar arduamente para manter os mares abertos e as principais rotas comerciais, do Canal do Panamá ao Mar Vermelho e ao Estreito de Ormuz, seguras e com fluxo contÃnuo”.
Já a subsecretária-geral da ONU para Assuntos PolÃticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, destacou, na mesma reunião, que uma governação responsável dos minerais crÃticos é essencial para a paz e o desenvolvimento.
DiCarlo afirmou que os minerais crÃticos estão “entre os principais motores da economia do século XXI”, sustentando tecnologias que vão desde os ‘smartphones’ aos veÃculos elétricos.
Alertou, porém, que a crescente procura — que deverá triplicar até 2030 — eleva também o risco de intensificar a competição geopolÃtica e os conflitos nas regiões ricas em recursos.
A representante da ONU recordou que várias regiões e paÃses afetados por conflitos são grandes produtores de minerais crÃticos, sublinhando que mais de 70% da extração global de cobalto, por exemplo, ocorre na República Democrática do Congo, sendo que a maioria das baterias que alimentam os dispositivos inteligentes depende desse mineral.
Já Myanmar (antiga Birmânia) é uma das maiores fontes mundiais de elementos de terras raras, essenciais para Ãmanes de alto desempenho utilizados em eletrónica avançada.
E a Ucrânia, por sua vez, possui reservas significativas de titânio e lÃtio, indispensáveis para tecnologias aeroespaciais e manufatura avançada.
A mineração ilegal pode “impulsionar economias ilÃcitas e financiar grupos criminosos e armados”, disse DiCarlo, apelando a uma governação mais forte, à transparência na cadeia de abastecimento e à diplomacia para garantir que os minerais apoiam o desenvolvimento sustentável e a paz.
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MYMM // SCA
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