
Nações Unidas, 02 jul 2026 (Lusa) – O embaixador norte-americano junto da ONU avisou hoje o Irão que a “paciência do Presidente Donald Trump não é ilimitada” e garantiu que Washington não permitirá que a república islâmica continue a manter a economia mundial refém.
“O Irão não pode, e nós não podemos permitir, que mantenha a economia mundial como refém. Muitos civis inocentes em todo o mundo estão a ser afetados”, disse Mike Waltz numa reunião do Conselho de Segurança da ONU, referindo que a agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD) constatou, esta semana, que o encerramento do Estreito de Ormuz pelo Irão terá efeitos duradouros em 61 economias em desenvolvimento.
Waltz afirmou que o regime iraniano impediu a passagem de todos os navios pelo Estreito de Ormuz, independentemente de transportarem “fertilizantes para agricultores na África, ajuda humanitária para o Sudão, combustível para o Japão ou se estavam ou não envolvidos no conflito”.
O Irão deve cessar os seus ataques contra os países vizinhos e deixar essa via navegável internacional aberta para todos, apelou o diplomata norte-americano
“Não posso enfatizar o suficiente a possibilidade de uma oportunidade transformadora e positiva real para a nação e povo do Irão, mas a paciência do Presidente Trump não é ilimitada. O mundo não pode continuar a sofrer, o Irão deve cumprir as suas obrigações perante este Conselho (…) e o mundo deve responsabilizar este regime”, acrescentou.
Apesar das conquistas e acordos diplomáticos, incluindo um memorando de entendimento assinado há duas semanas entre Teerão e Washington, “o Irão ainda não demonstrou ao mundo um nível básico de decência e respeito”, argumentou Waltz, contestando o argumento de que o Irão retaliou apenas contra alvos militares.
O Conselho de Segurança da ONU reuniu-se hoje de emergência a pedido do Bahrein, para abordar os ataques iranianos contra o seu país,
Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros do Bahrein, Abdullatif bin Rashid al Zayani, desde 28 de fevereiro – data em que os EUA e Israel lançaram uma guerra contra o Irão – o seu país sofreu um total de 808 ataques iranianos, que envolveram 203 mísseis balísticos e 605 drones armados.
Por sua vez, o embaixador iraniano junto da ONU, Amir Saeid Iravani, acusou o homólogo norte-americano de recorrer a mentiras e desinformação contra o Irão, “numa tentativa desesperada de justificar os atos ilegais de agressão dos EUA”.
Em plena negociação, e juntamente com o regime israelita, os Estados Unidos “traíram a diplomacia duas vezes” e lançaram duas guerras de agressão contra o Irão, em flagrante violação da Carta da ONU e do direito internacional, afirmou o diplomata iraniano.
“O Irão é a principal vítima das guerras de agressão lançadas pelos Estados Unidos e pelo regime israelita. Os papéis de vítima e agressor não devem ser invertidos”, enfatizou Iravani.
O diplomata também rejeitou as imputações feitas pelo representante do Bahrein e alguns membros do Conselho, acusando-os de não abordarem a causa principal da crise atual e de ignorarem a “agressão ilegal cometida contra o Irão”.
“Os vossos dois pesos e duas medidas e comportamento hipócrita estão a privar-vos de qualquer credibilidade para dar lições aos outros”, criticou.
Amir Saeid Iravani disse também que a presença de bases militares norte-americanas e a interferência estrangeira na região do Golfo Pérsico só resultam em insegurança.
“A prioridade deve ser a plena implementação do memorando de entendimento e a continuação das negociações para um acordo abrangente”, defendeu, enfatizando que o Conselho de Segurança deve apoiar esse processo, incentivar o pleno cumprimento do acordo e “abster-se de ações provocativas que possam prejudicar a diplomacia ou agravar ainda mais as tensões”.
A reunião de hoje ocorre em plena ronda de negociações indiretas entre o Irão e os Estados Unidos no Qatar para abordar a execução do memorando de entendimento assinado no passado dia 17 de junho.
MYMM // APN
Lusa/Fim



