
Bruxelas, 10 fev 2026 (Lusa) – O embaixador dos Estados Unidos na NATO, Matthew Whitaker, defendeu hoje a necessidade de a Aliança Atlântica se envolver mais na segurança do Ártico, para a qual já está a preparar uma nova missão conjunta.
“À medida que o gelo recua e se abrem rotas comerciais, assiste-se a uma maior atividade e a uma maior necessidade de conhecimento e vigilância da região, e tudo isso, juntamente com a necessidade de adotar uma abordagem abrangente aqui na NATO, exigirá certamente mais da Aliança, e não pode ser apenas mais dos Estados Unidos”, sustentou Whitaker.
O diplomata norte-americano emitiu estas declarações numa conferência de imprensa por videoconferência para falar sobre a reunião de ministros da Defesa da NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental) a realizar na quinta-feira em Bruxelas, seguida de uma nova sessão do chamado grupo de contacto de apoio à Ucrânia, que reúne cerca de meia centena de países.
Na reunião ministerial, os Estados Unidos far-se-ão representar pelo subsecretário da Defesa, Elbridge Colby, em vez do líder do Pentágono (Departamento da Defesa), Pete Hegseth.
O embaixador Whitaker deixou claro que o Ártico é uma região em que a Aliança “deve mostrar-se forte”, por ser “essencial para a segurança nacional e a economia” norte-americanas.
“Como nação ártica, os Estados Unidos vão perseguir os seus interesses económicos e de segurança e garantir segurança, estabilidade e prosperidade perante a crescente concorrência da China e da Rússia”, sublinhou.
O Comandante Supremo Aliado na Europa (SACEUR), o general norte-americano Alexus G. Grynkewich, é o responsável pela elaboração da nova iniciativa “Sentinela do Ártico”, cujas linhas de base poderão estar prontas nos próximos dias.
Há rumores de que poderá ser uma missão temporária, semelhante aos batalhões multinacionais com que a NATO reforçou os Estados bálticos e do seu flanco leste.
“Confiamos nos profissionais militares para planear como será uma ação de vigilância reforçada no Ártico”, afirmou Whitaker.
Em relação à “Cúpula Dourada”, o projeto de defesa anteriormente referido pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para reforçar a segurança especificamente na Gronelândia — um território autónomo pertencente à Dinamarca —, o embaixador observou que “envolverá o posicionamento de alguns recursos” no seu território.
“Temos o problema crítico dos minerais, para garantir que a mineração não é realizada pelos nossos adversários, como a China e a Rússia; temos problemas relacionados com a melhoria do conhecimento da região, para garantir que sabemos quem está lá, quem está a transitar por lá e quais as suas intenções”, explicou.
“O objetivo é assegurarmo-nos de que temos uma compreensão muito clara do que está a acontecer no Ártico, especialmente nas rotas de acesso à América do Norte e à Europa”, resumiu o diplomata.
Destacou ainda a necessidade de meios, referindo: “O Ártico está a tornar-se cada vez mais relevante e precisamos de mais recursos, e esses recursos não podem ser apenas norte-americanos – têm de ser todos recursos da NATO”.
Outra dificuldade apontada sobre o futuro é que, se a Gronelândia se tornasse completamente independente da Dinamarca, “ficaria de fora da NATO e poderia estar sujeita à influência dos adversários da Aliança – e então, teríamos de resolver isso”.
Whitaker afirmou que estão em curso conversações políticas trilaterais entre a Gronelândia, a Dinamarca e os Estados Unidos para “resolver quaisquer questões pendentes”.
O embaixador destacou ainda a importância de “a Europa assumir a responsabilidade da defesa convencional (não nuclear) do continente europeu”.
“Os Estados Unidos não vão desaparecer, mas devemos garantir que os meios fundamentais são melhorados e fornecidos pelos nossos aliados europeus”, sustentou.
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