
Washington, 24 fev 2026 (Lusa) — Os Estados Unidos (EUA) confirmaram hoje que não existe, até ao momento, relatos de vítimas norte-americanas na violência que eclodiu no México após a morte de um poderoso narcotraficante, alertando os cartéis para “graves consequências” se atacarem cidadãos norte-americanos.
“Neste momento, não temos relatos de norte-americanos feridos, raptados ou mortos e os cartéis mexicanos sabem que não podem tocar em nenhum norte-americano, ou enfrentarão consequências graves com este Presidente [dos EUA, Donald Trump], como já está a acontecer”, disse a porta-voz da Casa Branca (presidência), Karoline Leavitt.
O México mobilizou 10.000 soldados para a região oeste do território para conter a vaga de violência desencadeada pela morte do barão das drogas mais procurado do país, Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, que já causou dezenas de mortos.
“El Mencho”, líder do Cartel de Jalisco Nova Geração, foi ferido no domingo durante uma operação militar na cidade de Tapalpa, no Estado de Jalisco (oeste), e morreu durante o transporte de avião para a Cidade do México, segundo o exército.
O anúncio da morte do narcotraficante provocou uma reação violenta do cartel, cujos alegados membros bloquearam estradas, incendiaram veículos, atacaram postos de gasolina, estabelecimentos comerciais e bancos, e confrontaram as autoridades em 20 Estados mexicanos.
Durante a operação militar e os confrontos que se seguiram, 25 membros da guarda nacional, assim como um agente de segurança e um responsável do Ministério Público foram mortos, bem como 46 membros do cartel, indicaram as autoridades.
Na capital do país, Cidade do México, nenhum ato de violência foi reportado.
O Governo mexicano anunciou hoje o envio de mais 2.500 militares para Jalisco, elevando para 10.000 o número de elementos das Forças Armadas mobilizados desde domingo.
As autoridades esperam pôr fim rapidamente aos distúrbios, a quatro meses do Mundial de Futebol de 2026, coorganizado com os Estados Unidos e o Canadá, e do qual Guadalajara, capital do estado de Jalisco, será uma das cidades-sede.
Nemesio Oseguera foi considerado o último dos grandes traficantes desde a captura dos fundadores do cartel rival de Sinaloa, Joaquín Guzmán “El Chapo”, e Ismael “Mayo” Zambada, presos nos Estados Unidos.
À frente do Jalisco Nova Geração – classificado em 2025 como “organização terrorista” pelos Estados Unidos, que o acusam de tráfico de cocaína, heroína, metanfetamina e fentanil -, Oseguera era um dos barões da droga mais procurados pelo México e pelos Estados Unidos, que ofereciam até 15 milhões de dólares (cerca de 12,7 milhões de euros, ao câmbio atual) pela sua captura.
Uma das companheiras do narcotraficante foi um elemento-chave para o localizar, explicou em conferência de imprensa o secretário da Defesa Nacional mexicano, Ricardo Trevilla.
Forças especiais do exército mexicano cercaram o local onde “El Mencho” se encontrava e foram alvo de tiros por parte dos homens armados responsáveis pela segurança do narcotraficante, explicou Trevilla.
O corpo de Oseguera foi formalmente identificado pelo seu ADN e será entregue à família, precisou o secretário de Segurança, Omar Garcia Harfuch.
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