
Coimbra, 12 jan 2022 (Lusa) — Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu um equipamento que permite testar a viabilidade do uso de dióxido de carbono capturado da atmosfera para produzir energia geotérmica, anunciou hoje a instituição.
O projeto, denominado por “KIDIMIX – Difusão Molecular e Difusão Térmica de CO2 em misturas modelo próximo do ponto crÃtico”, tem a colaboração da Universidade Livre de Bruxelas (ULB) e é coordenado por CecÃlia Santos e Ana Ribeiro, investigadoras do Centro de QuÃmica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).
De acordo com o comunicado, “em teoria é possÃvel utilizar dióxido de carbono em estado supercrÃtico para extrair energia geotérmica”.
No entanto, esta possibilidade nunca foi testada, não existindo, por isso, informação experimental que explique o que acontece ao dióxido de carbono a partir do momento em que entra nas rochas.
“A injeção de dióxido de carbono em formações rochosas subterrâneas, para armazenamento geológico, pode proporcionar benefÃcios que vão além da redução da sua concentração na atmosfera”, disse, citada na nota de imprensa, CecÃlia Santos.
“A temperatura e pressão existentes à profundidade a que o armazenamento geológico ocorre colocam o dióxido de carbono num estado supercrÃtico [apresenta simultaneamente propriedades lÃquidas e gasosas quando expostos a pressão e temperatura superiores à s do seu estado crÃtico], o que faz dele um ótimo candidato para a extração de energia geotérmica”, explicou.
Segundo as investigadoras, do ponto de vista experimental desconhece-se o comportamento do dióxido de carbono “a partir do momento em que é armazenado nas formações geológicas, sendo este previsto com base em modelos teóricos”.
Conhecer o comportamento do dióxido de carbono é por isso “importante para tirar partido das propriedades termofÃsicas deste gás relativamente à s da água, o fluido atualmente usado para a extração de energia geotérmica”, lê-se na nota de imprensa enviada à agência Lusa.
Demonstrar que “extrair energia geotérmica com este gás é seguro e financeiramente viável, uma vez que as tecnologias de armazenamento de carbono são muito dispendiosas quando utilizadas isoladamente”, permitia ajudar no “combate à s alterações climáticas e contribuir para a descarbonização”.
O equipamento desenvolvido por esta equipa permite efetuar vários tipos de medições, que são “essenciais” para caracterizar “misturas supercrÃticas e obter dados precisos sobre as propriedades de transporte destas misturas”.
A utilização de dióxido de carbono para extração de energia geotérmica pode ser ainda uma “ajuda preciosa” em outros tipos de indústria e o desenvolvimento destas tecnologias aliadas à geração de gás ou energia renovável “pode aumentar a competitividade do paÃs”, sublinhou CecÃlia Santos.
Atualmente, a equipa de investigadores está a compreender o comportamento do dióxido de carbono no interior do reservatório geológico, para que, depois entender toda a mecânica envolvida no processo, desenvolver um modelo que torne processo viável.
O projeto KIDIMIX teve inÃcio em 2018 e é financiado, em 200 mil euros, por fundos comunitários, através do programa COMPETE 2020, e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).
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