
Lisboa, 25 mai 2022 (Lusa) — O Governo considerou hoje que o estudo da PAN sobre os pesticidas apresenta uma “mensagem alarmista”, ao abranger um conjunto limitado de produtos, sem referência aos limites máximos, precisando que, em 2020, 93,6% das amostras nacionais estavam em conformidade.
Maçãs e peras cultivadas em Portugal estão entre as frutas com maior quantidade de pesticidas perigosos, indicou uma análise a fruta fresca europeia relativamente a 2019, da responsabilidade da rede de organizações não governamentais “PAN Europa”.
Em resposta à Lusa, o Ministério da Agricultura sublinhou que o estudo aborda a presença de resÃduos num “conjunto limitado” de produtos, nomeadamente o kiwi, cereja, maçã, pera, pêssego, aipo, pepino, espinafre e alface, “sem, no entanto, referir a que nÃveis são encontrados estes resÃduos ou fazer qualquer menção ao cumprimento dos limites máximos de resÃduos estabelecidos comunitariamente”.
Neste sentido, o executivo destacou que, em 2020, 93,6% das amostras em Portugal estavam em conformidade legal, 46,5% sem resÃduos detetáveis e 47,6% com resÃduos inferiores aos limites máximos de resÃduos.
Por outro lado, o ministério tutelado por Maria do Céu Antunes referiu que o documento “aborda apenas a presença de resÃduos de substâncias ativas (pesticidas) em alguns produtos agrÃcolas que, presentemente, são classificadas como substâncias candidatas a substituição (Cfs)”.
Como indica o nome, estas devem ser substituÃdas por “alternativas de menor preocupação, sempre que essas alternativas existam”.
A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) já tinha defendido que a presença de resÃduos de pesticidas nos produtos agrÃcolas, sem nÃveis que constituam risco, não é um motivo de alarme.
Segundo uma nota hoje divulgada pela DGAV, “a presença de resÃduos de pesticidas ou outros quaisquer contaminantes nos produtos agrÃcolas não deve, por si só, constituir um motivo de alarme sem que estejam associados a nÃveis que constituam risco”.
Assim, a DGAV sublinhou que o estudo em causa “deve ser contextualizado”, nomeadamente no que se refere ao impacto na segurança dos alimentos.
Por outro lado, referiu que a utilização de pesticidas está sujeita a limites máximos de resÃduos, sendo que o controlo destes, coordenado pela DGAV, evidencia “nÃveis de cumprimento significativos”.
A Pesticide Action Network (PAN), fundada em 1982, é uma rede de mais de 600 organizações não governamentais, instituições e pessoas de mais de 60 paÃses que procura minimizar os efeitos negativos dos pesticidas perigosos, e substituÃ-los por alternativas ecologicamente corretas e socialmente justas. A PAN Europa foi criada em 1987 e reúne 38 organizações de consumidores, de saúde pública e ambientais, entre outras.
Segundo o documento, as maçãs e peras portuguesas estão no segundo lugar do ‘ranking’ da maior proporção de frutas contaminadas em 2019. Em 85% das peras portuguesas testadas e em 58% de todas as maçãs testadas foi encontrada contaminação por pesticidas perigosos.
A nÃvel da União Europeia, de acordo com o estudo, as taxas de contaminação tanto para maçãs como para peras mais do que duplicaram entre 2011 e 2019.
PE (FP) // MSF
Lusa/Fim



