
Porto, 10 jul 2026 (Lusa) — Uma equipa da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu, após analise a mais de 1.600 bebés prematuros, que o contacto pele com pele com recém-nascido nas primeiras horas pode reduzir a taxa de infeções e o risco de morte.
“Os resultados indicam que os cuidados canguru [pele com pele] aplicados nas primeiras 24 horas de vida se associam a uma diminuição de 19% na mortalidade aos 28 dias e a uma redução da taxa de infeção”, afirma a professora da FMUP Sandra Costa que assina um artigo publicado em maio no Journal of Perinatal Medicine.
A análise debruçou-se sobre os efeitos do cuidado canguru na saúde de 1.679 bebés dados à luz antes das 32 semanas de gestação e/ou peso inferior a 1500 gramas ao nascimento.
Em comunicado enviado à agência Lusa, a FMUP refere que a equipa de investigadores que incluiu profissionais da Unidade Local de Saúde São João, no Porto, focou-se num grupo de maior vulnerabilidade e maior risco neurobiológico para perceber o impacto dos cuidados canguru precoces nos bebés mais vulneráveis, em particular nos recém-nascidos entre as 28 e as 32 semanas.
“O cuidado canguru deve iniciar-se precocemente no hospital e pode ser continuado em casa, pelo maior número de horas possÃvel. Na prática, em vez de estar dentro de uma incubadora, o bebé está colocado sobre o peito da mãe ou do pai, mantendo todos os cuidados e tratamentos necessários como monitorização, ventilação ou nutrição”, acrescenta a autora do artigo, citada no comunicado.
Para a professora e neonatologista, revela-se “muito importante fornecer condições para a presença dos pais na UCIN [Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais] desde o nascimento do bebé e capacitar as equipas com formação teórica e treino de simulação”.
Considerando que “até aqui, a escassez de evidência especÃfica sobre os benefÃcios para estes recém-nascidos podia constituir uma barreira à aplicação dos cuidados canguru por parte dos profissionais de saúde, nomeadamente neonatologistas e enfermeiros”, a equipa faz recomendações sobre “a efetividade dos cuidados canguru nos grandes prematuros”.
“Estas recomendações são importantes para os profissionais, por fornecerem evidência para a implementação dos cuidados canguru numa população de risco”, lê-se nas conclusões.
E, sem esquecer os pais, a equipa recomenda que estes deem importância à sua participação nos cuidados dos recém-nascidos muito prematuros desde o primeiro dia, mesmo quando estes necessitam de estar internados em cuidados intensivos.
“Ao promover o contacto direto com a pele da mãe ou do pai, poderemos estar a alterar a flora do recém-nascido, com impacto no risco de infeção. Adicionalmente, os cuidados canguru têm sido associados a uma maior produção de leite pela mãe, o que pode facilitar a alimentação destes bebés com leite materno, cujos benefÃcios são bem conhecidos”, acrescenta a investigadora.
Adotados inicialmente nos paÃses em desenvolvimento como uma técnica de baixo custo, atualmente estes cuidados são defendidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em todos os recém-nascidos prematuros e de muito baixo peso.
Coordenado por Sandra Costa, este estudo contou com a participação de vários profissionais da FMUP e médicos da ULS São João, nomeadamente Joana Arêde Martins, Renato Ferreira da Silva, André Assunção, Fátima Clemente e Inês Azevedo.
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