
Uma análise feita por autoridades de saúde do Canadá acompanhou mais de dois mil pacientes com 65 anos ou mais, após cirurgias não cardÃacas. Em cerca de seis meses, aproximadamente um em cada seis desenvolveu uma nova incapacidade fÃsica, desde dificuldades em caminhar, vestir-se ou realizar tarefas simples do dia a dia.
Além das limitações funcionais, muitos dos participantes no estudo relataram dor persistente e declÃnio emocional, com sintomas associados à ansiedade e à depressão. Parte significativa admitiu sentir arrependimento pela decisão de avançar para a cirurgia, sobretudo quando o resultado não correspondeu à s expetativas.
O levantamento identificou fatores que aumentam o risco de má recuperação: fragilidade pré-existente, perda de mobilidade, défices cognitivos, tabagismo, cirurgias especialmente invasivas e ausência de rede de apoio.
Em vários casos, mesmo quando a cirurgia é tecnicamente bem-sucedida, os pacientes não recuperam o nÃvel de independência que tinham antes da operação.
Este quadro traz consequências não apenas para o próprio idoso, mas também para as famÃlias e para o sistema de saúde, que passa a lidar com maior necessidade de acompanhamento, cuidados continuados e internamentos prolongados.
Os especialistas defendem que as decisões cirúrgicas nesta faixa etária devem considerar não apenas a sobrevivência ao procedimento, mas sobretudo o potencial de uma recuperação digna e funcional. O planeamento antecipado de cuidados, reabilitação e apoio social pode fazer toda a diferença no processo de recuperação.



