
Leiria, 03 mar 2026 (Lusa) — O coordenador da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País manifestou hoje preocupação perante a “tendência inflacionista” em áreas e materiais para reconstrução do território afetado pelo mau tempo que poderá advir do ataque militar ao Irão.
“Não são, seguramente, boas notícias para aquilo que é uma necessidade enorme de concentrarmos recursos”, afirmou aos jornalistas, em Leiria, Paulo Fernandes, referindo, por exemplo, “o petróleo e outros que serão sucedâneos”.
Segundo Paulo Fernandes, “poderá haver aqui alguma tendência novamente inflacionista” em áreas e materiais “absolutamente vitais” para a ação de recuperação do território que, “obviamente, é gigantesca”.
Numa conferência de imprensa com a presença da ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, que hoje está em Leiria para visitar estruturas que tutela afetadas pelo mau tempo, o coordenador salientou que o conflito é um problema “naquilo que são as questões macroeconómicas” a curto e médio prazos.
“Dão sempre alguma preocupação extra a tudo aquilo que já tínhamos em cima de nós, que é enorme do ponto de vista do esforço de recuperação”, destacou.
Já o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, antecipou que o conflito “vai ter consequências naturais na economia mundial” e, na Europa, “países como Portugal vão ter problemas acrescidos”.
“Relativamente a crises, acho que já temos uma longa aprendizagem e esta será mais uma com que temos de lidar, não só o país, mas a Europa”, assinalou, numa alusão à guerra na Ucrânia.
Gonçalo Lopes prevê “próximos tempos bastante inseguros”, que se podem “traduzir numa escalada grande de preços inflacionados, que poderá contribuir para que haja um retrocesso” nas perspetivas futuras da região e, “em especial, para os territórios mais pobres da Europa”.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justifica a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial”.
O Irão já confirmou a morte do ‘ayatollah’ Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.
Segundo o Crescente Vermelho iraniano, os ataques de Israel e dos Estados Unidos já fizeram 787 mortos desde sábado. O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de seis militares norte-americanos.
Dezoito pessoas morreram em Portugal, seis das quais no concelho de Leiria, na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no dia 15 de fevereiro.
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