Estado exerce preferência sobre obra histórica de Amadeo que irá para Museu Soares dos Reis

Lisboa, 26 jun 2026 (Lusa) — O Estado exerceu o direito de preferência sobre a pintura “Copo branco belleza dos objectos”, de Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918), vendida em leilão, que irá para o Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, foi hoje anunciado.

De acordo com um comunicado da empresa pública Museus e Monumentos de Portugal (MMP), o Estado exerceu na quinta-feira o direito de preferência sobre a obra, adquirindo-a “pelo valor de adjudicação apurado em leilão realizado pela Veritas Art Auctioneers”, na quarta-feira ao final do dia, que foi de 476.340 euros.

“No âmbito das competências da Comissão para a Aquisição de Bens Culturais para os Museus e Palácios Nacionais, esta aquisição permitirá enriquecer a coleção do Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, reforçando o património público nacional e contribuindo para a preservação e valorização de uma das mais relevantes produções da arte moderna portuguesa”, acrescenta a MMP na nota de imprensa.

A pintura a óleo sobre tela “Copo branco belleza dos objectos”, datada de 1915-1916, tinha sido adquirida no leilão de arte moderna e contemporânea por um colecionador privado português, indicou a Veritas, mas o Estado dispõe de um período legal de 15 dias para exercer o direito de preferência, o que fez de imediato, no primeiro dia desse prazo.

Exibida pelo próprio artista nas históricas exposições realizadas no Porto e em Lisboa em 1916, a pintura manteve-se durante anos na propriedade da família do artista, tendo subido à praça por 375 mil euros como valor inicial de licitação no leilão, atingindo o valor de martelo de 390 mil euros, ao qual acresce a comissão da leiloeira, perfazendo um valor total de venda de 476.340 euros, segundo a Veritas.

“Copo branco belleza dos objectos” já tinha ido à praça em outubro de 2021, em Lisboa, pela Cabral Moncada Leilões, pelo mesmo valor-base de 375 mil euros e uma estimativa de 562.500 euros, mas acabou por não ser vendida.

Com dimensões de 50 por 40 centímetros, o quadro pertence ao período final da produção artística de Amadeo de Souza-Cardoso, “fase marcada pela experimentação formal e pela assimilação de linguagens ligadas ao cubismo e às vanguardas europeias”, assinala a Veritas no comunicado.

As exposições de Porto e Lisboa em que o artista expôs a obra, em 1916, são consideradas momentos decisivos para a afirmação da modernidade artística em Portugal.

Segundo a Veritas, o percurso expositivo da pintura que se encontra registada no Catálogo Raisonné do artista, publicado pela Fundação Calouste Gulbenkian, prolonga-se por mais de um século e “acompanha alguns dos momentos mais relevantes da receção crítica da obra de Amadeo”.

Além das exposições de 1916, “Copo branco belleza dos objectos” fez parte das grandes retrospetivas dedicadas ao artista no Palácio Foz, em Lisboa, e no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, em 1959.

A pintura participou ainda numa exposição realizada em 1985 na Galeria Jornal de Notícias, no Porto, e na mostra “Amadeo de Souza-Cardoso: Diálogo de Vanguardas”, organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian, em 2006.

Foi também incluída na grande retrospetiva dedicada ao artista apresentada em 2016 no Grand Palais, em Paris, França.

Nascido em Manhufe, Amarante, em 1887, Amadeo de Souza-Cardoso é uma das figuras centrais da arte moderna portuguesa e um dos mais destacados representantes das vanguardas europeias do início do século XX.

Depois de se fixar em Paris, em 1906, estabeleceu contacto com alguns dos principais movimentos artísticos da época, relacionando-se com criadores como Amedeo Modigliani, Constantin Brâncu?i e Robert Delaunay.

A carreira do artista foi interrompida pela pandemia de gripe pneumónica que assolou a Europa em 1918, causando-lhe a morte aos 30 anos. Apesar da curta vida, deixou uma obra que continua a ser amplamente estudada e apresentada em museus e exposições nacionais e internacionais.

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